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Blog do Jotabê Medeiros

O adeus de Palhinha

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    Morreu essa semana em São Paulo o guitarrista, arranjador e compositor carioca Sydney Cruz do Valle, conhecido como Palhinha.  Quem é fã de Belchior o conhece bem: era da primeira banda de turnê de Belchior depois do sucesso com Alucinação, em 1976. Também colaborou nos discos do cearense. Os violões, arranjos de base e algumas guitarras do clássico elepê...

A freeway que leva ao Paraíso

A van saiu de Montevidéu na noite de quinta-feira, 11, com 10 homens dentro: sete músicos, dois motoristas para revezamento de direção e um técnico de som. A viagem durou 26 horas e atravessou 1,7 mil quilômetros desde os pampas uruguaios e gaúchos até as lavouras do Norte do Paraná. A van trazia a banda uruguaia Buenos Muchachos para tocar...

O som de Tiago Araripe

    Tiago Araripe, cearense do Crato, estudava Arquitetura no Recife nos anos 1970 e criara o coletivo Nuvem 33, de música experimental. Quando houve o Festival Experimental de Música de Nova Jerusalém, um visionário Woodstock tupiniquim, Tiago estava lá com seu grupo ao lado de cometas psicodélicos caboclos, como o Tamarineira Village (embrião do Ave Sangria), e foi naquele ambiente...

E La Marvel Va

Aranha
  Homem-Aranha: Longe de Casa é um falso filme de férias. E isso não é negativo, muito pelo contrário. É altamente elogioso (notem que eu não disse um filme de férias falso, mas um falso filme de férias). Trata-se de uma inesperada incursão da Marvel Comics, indústria cultural por excelência, pelo insight de Federico Fellini em E La Nave Va. Em E La...

Após censura, CCBNB cancela toda a programação em Fortaleza

  Após o episódio em que censurou obra dos artistas Eduardo Bruno e Waldírio Castro, revelada com exclusividade pelo Farofafá no dia 28 de maio, o Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) em Fortaleza (CE), aprofundou sua crise e cancelou essa semana toda sua programação artística. Todos os artistas que tinham projetos em andamento ou preparavam shows, concertos, exposições...

De quando o blues sacode a metrópole

  Os nomes históricos do blues estão quase todos desaparecendo: B.B. King morreu, Dr. John morreu, James Cotton morreu. Por isso, quando um cara como o bluesman Roy Rogers, de 68 anos, está de passagem pela cidade, é bom tirar um tempo que você provavelmente nem tem para vê-lo, porque ele é uma ponte entre mundos. Roy tocou com John Lee...

A autoridade de Francineth

Uma grande voz do samba canta a canção que enfureceu o general, Cambão, em show no Sesc Pompeia Plantei arroz, plantei feijão/De sol a sol eu trabalhei que só um boi ladrão/E a safra, vai vendo irmão, a maior parte ficou toda com o patrão Essa música...

A autocomiseração do homem-foguete

Taron Egerton é Elton John
Em sua espiral de autodepreciação e descontrole emocional, Rocketman talvez só encontre paralelo em O Ébrio, a personificação cinematográfica de Vicente Celestino (1894-1968). Em duas horas de filme, a vulnerabilidade absoluta do personagem Elton John faz com que o espectador tenha vontade de, no mínimo, adotá-lo. Um doce surrealismo de folhetim, surrealismo de feira...

Virada suada

Uma mulher sem dentes, na Estação da Luz, andava pela calçada com uma marmita de alumínio e berrava: “Não olhem para mim comendo! Quem olhar para mim comendo eu jogo o prato de comida na cara!”. A primeira Virada Cultural da era bolsonariana embutia duas preces. A primeira, que não se permita que haja uma segunda edição...

O som hipnótico da Ave Sangria

O cosmopolitismo da banda pernambucana Ave Sangria no Nordeste dos anos 1970 desmente todas as teses sobre a evolução do som regional que desenvolvemos nos últimos anos. Na Choperia do Sesc, ontem à noite, eu ficava ouvindo o som hipnótico daquelas guitarras (Paulo Rafael e Almir de Oliveira), do baixo e das vocalizações do grupo e dizia a mim mesmo...