terça-feira, outubro 15, 2019
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Blog do Jotabê Medeiros

Um manifesto de generosidade de Guizado

Como se Coltrane chapado e Don Cherry virado entrassem por engano no Clash Club e invadissem um show de uns garotos eletrônicos locais barbudinhos. Era o trompetista Guizado lançando seu disco "O Voo do Dragão", independente, na sexta-feira à noite (15), no Itaú Cultural. Noite de cachecóis e echarpes na Avenida Paulista. Ele tinha como convidado o sax tenor de...

Virada suada

Uma mulher sem dentes, na Estação da Luz, andava pela calçada com uma marmita de alumínio e berrava: “Não olhem para mim comendo! Quem olhar para mim comendo eu jogo o prato de comida na cara!”. A primeira Virada Cultural da era bolsonariana embutia duas preces. A primeira, que não se permita que haja uma segunda edição...

O som hipnótico da Ave Sangria

O cosmopolitismo da banda pernambucana Ave Sangria no Nordeste dos anos 1970 desmente todas as teses sobre a evolução do som regional que desenvolvemos nos últimos anos. Na Choperia do Sesc, ontem à noite, eu ficava ouvindo o som hipnótico daquelas guitarras (Paulo Rafael e Almir de Oliveira), do baixo e das vocalizações do grupo e dizia a mim mesmo...

Sentinela do Sul

    Na ilha mais isolada do mundo, Sentinela do Norte, no Oceano Índico, entre a Índia e Mianmar, os visitantes são recebidos a pedradas e flechadas. Náufragos não duram uma hora na praia, são executados. Uma vez, uma expedição diplomática chegou a avistar-se com os nativos, mas eles viraram de costas para os visitantes e mostraram os traseiros, desafiadoramente. O Brasil,...

O adeus de Palhinha

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    Morreu essa semana em São Paulo o guitarrista, arranjador e compositor carioca Sydney Cruz do Valle, conhecido como Palhinha.  Quem é fã de Belchior o conhece bem: era da primeira banda de turnê de Belchior depois do sucesso com Alucinação, em 1976. Também colaborou nos discos do cearense. Os violões, arranjos de base e algumas guitarras do clássico elepê...

A autoridade de Francineth

Uma grande voz do samba canta a canção que enfureceu o general, Cambão, em show no Sesc Pompeia Plantei arroz, plantei feijão/De sol a sol eu trabalhei que só um boi ladrão/E a safra, vai vendo irmão, a maior parte ficou toda com o patrão Essa música...

A vida depois de Mujica

No festival Paraíso do Rock, no Paraná, a banda uruguaia Molina y Los Cósmicos faz um rasante com seu folk da fronteira e mostra por que devemos olhar com atenção um pouco além do Chuí Num dos festivais mais insólitos e bacanas do País, o Paraíso do Rock (que mobiliza durante duas noites a pequena Paraíso do Norte, no Paraná),...

É hora de recriar a Guanabara?

COMO SE PRONUNCIA O NOME DO PARTIDO DO MINISTRO SEM PARTIDO? Na União Soviética stalinista, ficou famosa a técnica de apagar dos retratos oficiais aqueles camaradas que tinham caído em desgraça com os novos poderosos. Um expurgo violento teve início e, para se refazer para a posteridade a história da URSS, foi necessária anos adiante uma minuciosa reconstrução das imagens...

Plus ça change plus c’est la même chose

No jornalismo, a coisa ganhou certos contornos de sadismo, todo mundo do ramo que a gente encontra imediatamente pergunta: "Atualmente, você tá fazendo o quê?". Eu? Lavando a roupa de manhã e cozinhando feijão ao meio-dia. Descendo a rua de bicicleta com os filhos e mastigando grãos de café vermelhos no cafeeiro do vizinho. Fora isso, a atividade periférica é a...

Leonard Cohen e o teto do abismo

Leonard Cohen, Tom Waits, Gil Scott-Heron, Lou Reed, Johnny Cash: algumas vozes, na música popular, soam diferentes de outras, como se não existissem para preencher um espaço na canção, mas para usar a canção como um espaço de sua autoridade, tornando-a um território sagrado. Não só pela guturalidade, pela aparição tonitruante, pelo grave cerimonial, mas pela própria presença física...