O atual diretor-presidente da Ancine, Alex Braga, que sai em outubro do cargo, com o então secretário especial de Cultura de Bolsonaro, Mario Frias

Em um mês, no dia 14 de maio, termina o mandato de Vinicius Clay, diretor da Ancine, que deverá ser substituído por um nome indicado pelo presidente Lula. E, no dia 10 de outubro, finda o mandato do longevo Alex Braga, diretor-presidente da agência, no poder desde agosto de 2019 – inacreditáveis 7 anos no cargo. Os dois foram nomeados diretores da Ancine pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2021 e, pela legislação de agências reguladoras, não poderiam ser destituídos pelo atual governo até o fim de seus mandatos.

Como a diretoria da Ancine é formada por 4 diretores para mandatos de 5 anos, os nomeados na gestão de Bolsonaro só estão saindo progressivamente agora dos cargos, mudando a maioria do colegiado para a eventual eleição de um novo presidente. O governo Lula indicou até agora dois novos diretores: Paulo Alcoforado e Patricia Barcelos. Não se sabe ainda o nome que será proposto para o cargo que Vinicius Clay deixará vago, mas especula-se o nome de Fabricio Antenor Pereira, assessor do secretário executivo do Ministério da Cultura, Marcio Tavares.

Os votos dos dois indicados por Lula, até agora, eram insuficientes para mudar a presidência do órgão, mas o novo diretor a ser indicado cria uma maioria e muda isso antes mesmo de Alex Braga sair do posto.

Braga chegou à presidência da Ancine por influência da deputada Soraya Santos, do PL do Rio, nome crucial do Centrão do Congresso Nacional (ele chegou a nomear como assessora pessoal uma ex-secretária de Soraya). A história certamente vai recuperar o que representou esse período para a condução do ambiente de fomento e regulação do cinema brasileiro, já que uma parte expressiva da cobertura de imprensa passou batida na cobertura dos desmandos. Chegou-se a falar abertamente não apenas na extinção da própria Ancine, mas também da Condecine, imposto que abastece o Fundo Setorial do Audiovisual, cerne da política de estímulo ao cinema brasileiro. Para rememorar, nós listamos aqui uma pequena memória do que passou em 10 pontos elucidativos:

  1. A operação parada total
  2. A caça às bruxas inimigas
  3. O Caso Marighella e Wagner Moura
  4. O cipoal burocrático
  5. Os vendilhões do templo
  6. A aliança política
  7. O aparelhamento da agência
  8. A displicência na promoção do cinema
  9. O colapso da transparência
  10. O alinhamento com forças obscuras

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