Sobre o funk carioca e a cultura do estupro

Boa parte do funk é, sim, expressão do horror e da barbárie que nos assola. Mas é possível criticá-lo sem criminalizar a periferia? Uma reflexão de Acauam Oliveira Diante da comoção geral ocasionada pelo caso estarrecedor de estupro de uma jovem de 16 anos por 33 homens no Rio de Janeiro, diversos textos e artigos passaram a enfatizar a necessidade...

Transmúsica, nunca ouviu? Pois deveria

Zema Ribeiro, garimpeiro das novidades musicais, revela mais que uma surpresa na cena brasileira. As Bahia e a Cozinha Mineira é transrevolucionário O grupo As Bahias e a Cozinha Mineira fez um dos mais surpreendentes discos da música brasileira em 2015. O álbum intitula-se simplesmente "Mulher", o que por si só pode parecer provocação: as duas vocalistas são transexuais. Assucena Assucena...

Amei Star Wars, esse filme de bosta

Imaginem um crítico de cinema bipolar: ah, como eu amei esse filme; putz, como eu odiei esse filme. Agora imaginem que ele vai resenhar o filme que é o território sagrado de um exército de nerds, do tipo que ameaça os que discordam dele. Bom, temos então como brincadeira do dia esse bizarro desafio: um crítico binário, de dupla personalidade,...

Preta Gil, no ataque e na defesa

"Tem que ser branco, tem que ser alto/ tem que ser magro, tem que ter saldo no banco/ tem que ser sábio, tem que ser hétero/ tem que ter cabelo e tem que ter carro do ano/ tem que ser bilíngue, tem que ser beautiful/ tem que ser formado e tem que ter cartão de crédito/ tem que ser...

O nordestino sem preconceitos Zé Ramalho

O roqueiro-emepebista-blueseiro-etc. paraibano, um dos maiores artistas brasileiros vivos, estreia seu selo própio, Avôhai Music, com o inédito "Sinais dos Tempos". Olhares e ouvidos se voltam para a memória do pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989), neste ano em que se completam cem anos de seu nascimento. "O tempo corre mais ligeiro/ o calendário resumiu-se a quase um mês/ pelo rio...

Pressão & frisson nos Brasis

Dos discos que têm me interessado, falo do que mais me emociona. Aquele que me pegou pelo ouvido, pelo quadril, pelo coração. Um dos álbuns brasileiros mais aguardados dos últimos tempos: Treme, de Gaby Amarantos. Nem vou citar o fato dele ter tido por trás de si um marketing ímpar ou de que, há um ano, talvez, seria impensável todo...

Chico Buarque de Hollanda era Aurora era Amélio era Aurélia…

  O narrador perdido no tempo-espaço dos livros Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009) invadiu de vez a música popular brasileira. E não parece ser mais um personagem de ficção, pois o primeiro disco de canções inéditas de Chico Buarque em cinco anos se chama, simples e explicitamente, Chico. Aos 67 anos, o maior herói da politizada...