O cantor e compositor Otto, sempre pronto para brigar pelas causas em que acredita. Retrato: Rui Mendes. Divulgação
O cantor e compositor Otto, sempre pronto para brigar pelas causas em que acredita. Retrato: Rui Mendes. Divulgação

“Canicule sauvage”, novo disco de Otto, foi disponibilizado hoje nas plataformas de streaming. A expressão em francês que o batiza significa “onda de calor selvagem”, em tradução livre. Embora aborde a questão climática, a faixa-título tem ares do encontro musical de Serge Gainsbourg e Jane Birkin, com seu canto sussurrado.

O álbum é um reflexo do isolamento social imposto pela pandemia de covid-19, período em que o compositor criou bastante – já tem pelo menos outro disco pronto – e um mergulho profundo do artista numa experiência solitária e particular de criação e reflexão sobre temas urgentes.

“Canicule é uma palavra francesa que quer dizer onda de calor, calor dos cães, ira dos cães, e eu quero nesse disco falar das coisas que a gente vive, do mundo que a gente vive, do planeta que a gente habita, falar de aquecimento global, falar de resistência, de inclusão, falar de amor”, declara o artista com exclusividade ao Farofafá (em parceria com as Rádios Timbira AM e Universidade FM).

Canicule sauvage. Capa. Reprodução
Canicule sauvage. Capa. Reprodução

As 11 faixas do disco foram gravadas em casa, com o auxílio do Garageband, um aplicativo para iphone e ipad. “É um disco bem autoral, toquei muitos instrumentos, fiz arranjos pra minhas músicas e depois passei pra Apollo 9, que é meu parceiro, genial, produtor, amigo, que nesse trabalho arrebentou”, elogia. Eles trabalham juntos desde “Samba pra burro” (1998), estreia solo de Otto, que já se valia da eletrônica para vestir suas mensagens de samba, frevo, coco, ciranda, maracatu e muito mais.

Ex-percussionista de bandas seminais do movimento mangueBit, como Chico Science & Nação Zumbi e mundo livre s/a, Otto se acerca de convidados especiais para dar o seu recado: Kenza Said e Anais Sylla (vozes na faixa-título), Ana Cañas (voz em “Menino vadio”), Nina Miranda (voz em “Anna” e na vinheta homônima), Lavínia Alves (voz em “Você pra mim é tudo”, “Decidez”, “Há tanta gente que se abre” e “Peraí seu moço”), Lirinha (voz em “Candura”), Tulipa Ruiz (voz em “Tinta”) e Junio Barreto (voz em “Bole mexe”).

Além da pluralidade de vozes, conta ainda com as presenças de Pupillo (bateria em “Menino vadio”, “Decidez”, “Peraí seu moço” e “Bole mexe”), Michelle Abbu (percussão na faixa-título), Douglas Couto (baixo na faixa-título), Malê (percussão na faixa-título), Juliano Holanda (violões em “Tinta” e na vinheta “Anna”) e Samuel Fraga (bateria na faixa-título e “Anna”).

A banda base de Otto (voz, Garageband, percussão, MPC) é formada apenas por ele próprio e Apollo 9 (piano, guitarra, hammond, rhodes, minimoog, violão, baixo, dx5, gaita, korg polyphonic ensemble, ob-xa, sfx, e arp 2500 e 2600). Não é pouco!

Cantando em português e francês, Otto aborda a efemeridade das coisas, das relações e da própria vida. Em alguma medida, o disco é uma jornada de autoconhecimento ou um mergulho em busca de. É um disco vigoroso, que alimenta tanto o corpo que dança quanto a cabeça que pensa. O amor tem que ser quente, o planeta não. Um dos artistas que nunca temeu expor o que pensa, Otto faz de seu disco também uma tomada de posição.

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Ouça “Canicule sauvage”:

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