segunda-feira, maio 16, 2022

Linn da Quebrada ora em terreno minado

Linn da Quebrada no clipe "Oração"
Quando foi gravar o videoclipe de "Oração", em 10 de agosto, a artista transexual paulista Linn da Quebrada, 29 anos, tinha em mãos os documentos que a permitiam ocupar a locação escolhida, uma igreja abandonada junto a um terreno baldio na Brasilândia, na periferia norte de São Paulo. Não foi o suficiente. A Polícia Militar suspendeu a gravação por quatro longas...

51 anos de canções de Joyce

Em 2018, para comemorar 50 anos de atividade como cancionista, Joyce Moreno cometeu um pequeno ato político: regravou o primeiro álbum de sua história, Joyce, lançado originalmente em 1968. [youtube https://www.youtube.com/watch?v=BV0FTb_Vz9c] Poderia ser uma decisão banal, de mera efeméride, mas havia um propósito por trás. Em 1968, Joyce tinha 20 anos, e perpetrou, em pleno reinado do terror, um disco maduro e feminista apesar...

João do Vale: a voz do povo revoou

"Poeta do povo", o compositor maranhense vira tema de musical que circulará o Brasil no segundo semestre de 2019 A roda da história gira em torno do próprio eixo. No aniversário de 55 anos do histórico show Opinião, João do Vale (1933-1996) está vivo outra vez. Iniciado no Maranhão, em 2017, o musical João do Vale, o Gênio Improvável deve...

Geraldo Azevedo, o sobrevivente

O cantor e compositor pernambucano lança "Solo Contigo" e fala da prisão e da tortura pela ditadura brasileira, em 1969 e 1974 "A gente saiu da maior glória para a clandestinidade." O pernambucano Geraldo Azevedo jamais foi um propagandista das agruras que sofreu junto à ditadura civil-militar de 1964, mas história para contar não lhe falta. Estava com Geraldo Vandré...

Môa do Katendê: o 1º artista

O baiano Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Môa do Katendê, tem sido tratado como capoeirista no obituário sobre seu assassinato a facadas por um eleitor de Jair Bolsonaro, numa discussão na madrugada pós-eleitoral de 8 de outubro, em Salvador. Moa é, além disso, o primeiro artista a sucumbir à onda protofascista que emerge das urnas no Brasil de...

Alzira, navalha na carne

Primeiro, ela engavetou o sobrenome Espíndola e virou Alzira E. Atualmente, desdiz-se até mesmo como Alzira e prefere ser integrante qualquer da banda Corte, completada por três rapazes da big band afropaulistanabeat Bixiga 70 - Marcelo Dworecki, Daniel Gralha e Cuca Ferreira -, mais Fernando (ou Nandinho) Thomaz. A única mulher da banda é líder que não quer se dizer líder, nem sequer proclamar seu nome. Parceira essencial de um dos mais...

Índia, seus cabelos grisalhos

Tetê Espíndola sempre habitou um lugar à parte nas gavetas em que se costumam guardar os valores da música popular brasileira. Fala sobre esse não-estar de um modo sutil no álbum mais recente, batizado Outro Lugar. Outro lugar, para a cantora e compositora de 64 anos, é a cidade onde nasceu, Campo Grande, localidade interiorana do Mato Grosso que mais tarde, em 1979, seria promovida...

Índios na garganta

Em 30 de agosto de 2016, um dia antes da deposição definitiva de Dilma Rousseff no Senado, Tetê Espíndola falou sobre seu primeiro álbum independente, Pássaros na Garganta (1982), em entrevista a propósito de um show inspirado naquele trabalho fundador - mas que, por contingências da vida, permaneceu inédita por dois anos. Leia e/ou veja abaixo o passeio da cantora e compositora sul-matogrossense pela terra natal, pela música sertaneja...

Lucina, voz de árvore

Lucina Carvalho, ou simplesmente Lucina, já foi Lucelena, Lucinha, metade de Luli & Lucina. Não foi tantas por crise ou falta de identidade, mas antas, talvez, pela dificuldade de encontrar um lugar para chamar de seu ao sol da música popular brasileira, dessa MPB que foi e é tão profundamente masculina nos gabinetes quanto democraticamente pansexual nos bicos de palco. Ainda menina,...

Joyce, musa de si mesma

Joyce Moreno nasceu de "produção independente" em 1948, 40 anos antes de a conservadora sociedade brasileira considerar aceitável um dado como esse para uma mulher. Aos 20, no ano do AI-5, estreou em LP solo de compositora que hoje seria assimilado sem grandes traumas como "feminista" (palavra rara no Brasil de 1968). Ali, a jovem educada em colégios católicos...