Joyce Moreno - Foto Leo Aversa

Em 2018, para comemorar 50 anos de atividade como cancionista, Joyce Moreno cometeu um pequeno ato político: regravou o primeiro álbum de sua história, Joyce, lançado originalmente em 1968.

Poderia ser uma decisão banal, de mera efeméride, mas havia um propósito por trás. Em 1968, Joyce tinha 20 anos, e perpetrou, em pleno reinado do terror, um disco maduro e feminista apesar de juvenil, formado, em grande medida, por algo como 60% de composições de sua própria lavra.

Parece banal para um bichinho se assanhar, mas não era assim que as moças de apenas 50 anos atrás costumavam, em geral, se comportar. As moças estrelas da época apenas interpretavam canções de outros (quase sempre homens), a exemplo de Elis Regina, Elza SoaresGal CostaMaria Bethânia e noventa e nove entre cem cantoras então em atividade.

Joyce veio com ideias de liberdade e algum amor livre, em “Não Muda, Não”, “Superego” e “Me Disseram”. No segundo álbum, Encontro Marcado (1969), a face compositora foi contida (restaram três faixas assinadas por ela). Em 1976, ela lançou a partir do exterior um álbum apenas como intérprete, Passarinho Urbano. Só 12 anos depois da estreia, em 1980, a compositora voltou à tona, com o crucial e discreto disco-manifesto Feminina, 100% autoral.

Neste fim de semana, Joyce está em cartaz no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, para mostrar 50, o álbum de 2018 em que declarou amor e respeito ao álbum de 1968. De bônus, há a nova canção “A Velha Maluca”, que conta a história do intervalo de um minuto entre 1968 e 2018, e 2019. Viva Joyce Moreno.

Joyce. No Sesc Bom Retiro (Al. Nothmann, 185). Sexta (4) e sábado (5), às 21h.

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