Escambau
Grupo Escambau lança música inspirada em sonho que guitarrista teve com o psicodélico Júpiter Maçã

O sonho de Giovanni Caruso começa como se fosse o conto de Cortázar, Ônibus (do livro Bestiário, 1951). Foi em dezembro de 2019. O guitarrista e a mulher, Paraguaya, também cantora e música, estão zanzando por Buenos Aires e entram no Museo del Rock Garage. Lá, reencontram, não de cera, mas vivíssima, uma figura seminal do rock brasileiro, o gaúcho Júpiter Maçã (Flávio Basso, 1968-2015), a maior influência de Giovanni. Ele então resolve compor uma música a partir dessa “aparição” e gravá-la com sua banda, a curitibana Escambau. O video resultante dessa jornada, um épico visual feito a partir de 40 quadros desenhados a mão pelo crumbiano ilustrador e artista gráfico Fábio Vermelho, vocês veem aqui no Farofafá, em primeira mão.

“Viagem Astral com Júpiter Maçã foi gravada na sequência pelo Escambau, numa sessão ao vivo no Estúdio Old Black Records, em Curitiba, por Renato Ximú. Foi gravado e finalizado por Ramiro Pissetti e Luciano Popa. “Fizemos apenas dois ensaios e decidimos gravá-la sem enfeites, para que permanecesse com a crueza do sonho”, conta Giovanni.

 

O SONHO

Em dezembro de 2019, tive um sonho maluco no qual encontrei o Júpiter Maçã tocando uma música numa espécie de sótão de madeira. O sonho começou comigo e a Paraguaya sentados dentro de um ônibus de linha completamente vazio, circulando por um lugar afastado e repletos de terrenos baldios na Argentina. A rua era úmida e pouco iluminada por alguns velhos postes antigos. De repente, nosso ônibus parou na frente de um luminoso em neon vermelho que dizia: “Museo del Rock Garage” – no susto, peguei a Paraguaya da mão e disse: Vamos descer! Rápido! Descemos do ônibus e entramos no museu.Dentro do museu, nos deparamos com uma sala relativamente pequena e completamente vazia, com expositores no centro e nas paredes recheados com vinis e cds dos grupos mais diversos; tudo em espanhol. Peguei alguns cdspra dar uma olhada e rapidamente atravessamos por uma porta central para uma segunda sala. Ali, estavam expostas fitas K-7 e dvds. Assim como a primeira, esta sala também estava deserta, e tinha um aspecto decadente e sombrio. No alto da parede, num canto, havia uma televisão ligada passando algum documentário de música ou coisa assim, e também haviam pôsteres pendurados por todo este segundo recinto. De repente, do nada, aparecemos em um terceiro local, que era uma espécie de sótão de madeira com o teto baixo e caindo em diagonal como que acompanhando a caída do telhado. Num canto, bem trajado, com um terno justo – paletó de três botões – e óculos escuros avermelhados, estava o Júpiter Maçã tocando uma guitarra maciça de cor “sunburst”. Nos aproximamos com passos lentos, atônitos. O Flávio tocava saltando sem dobrar os joelhos, sem se mexer e olhando pro infinito fixamente. O lugar era apertado e eu me ajoelhei na altura do braço da guitarra e fiquei observando as notas que ele aplicava na canção. Era uma música circular, começava em si maior, depois fá e lá bemol, dó menor, mi bemol e caía cromaticamente até começar tudo de novo. A melodia era psicodélica e não tinha letra, apenas murmúrios. Ali, do nada, entrei numa queda e me acordei. Assustado, com a respiração alterada, mas com aquilo tudo na cabeça. Cravei meus olhos abertos no teto do meu quarto retrocedendo o sonho todo e ainda com aquela música na cabeça, conseguia visualizar as notas, inclusive. Foi aí que tomei uma atitude que considero contundente e crucial para a existência dessa canção. Me levantei da cama imediatamente e registrei no gravador do celular as notas que o Júpiter tocava e o que me restava na cabeça da melodia. Fiquei sentado no sofá, por vezes tocando aquela sequência circular, por vezes rememorando o sonho psicodélico. Nunca tinha passado por aquilo de receber uma música pronto através de um sonho. Aquela música era minha? Lógico que não. Será? Sei lá? Não se parece logo com nenhuma composição minha e até hoje me confundo ao tentar resolver essa questão. Só sei que a música veio pronta num sonho, com notas e melodia.

Na noite anterior a este sonho, passamos, eu e a Paraguaya, meu irmão Emerson e a mulher dele, Amanda, tomando vinho e conversando sobre o Flávio Basso, a pessoa e o artista. A conversa começou quando a Paraguaya contou que havia tido um sonho onde o “Man” apareceu pedindo para que ela trouxesse laranjas e limões para colorir sua vodka. Daí o assunto foi embora com muitas histórias, afinal de contas, meus dois irmãos mais velhos e o Flávio foram íntimos amigos e parceiros de trabalho, moraram juntos por um belo período onde ensaiavam todo dia e montavam a “Sétima Efervescência Intergaláctica”. Obviamente essas histórias – uma melhor que a outra – influenciaram minha mente e me levaram ao encontro onírico que relatei a vocês e que terminou em uma composição inédita”.

 

Valeu galera! Fiquem em casa, lavem as mãos, se alimentem e façam exercícios físicos e mentais. Leiam, pintem, desenhem, façam qualquer tipo de arte, afinal, é isso que nos salva. E não esqueçam>>>>> #FORABOLSONARO

Sobre o Escambau:

Formada em 2009, em Curitiba, a banda conta com cinco álbuns de estúdio em sua discografia: “Acontece nas Melhores Famílias” (2009), “Ordem e Progresso via Pão & Circo” (2011), “Novo Tentamento” (2014), “Sopa de Cabeça de Bagre” (2017), o EP em espanhol “Eléctrico” (2018) e o recém-saído do forno “Leite de Pedra“ (2019). Performático, o grupo vem se destacando no cenário alternativo pela capacidade de experimentação e letras fortes que conversam com o atual panorama sócio-político. Apesar de forte influência do rock, a banda não aposta em um estilo único, buscando elementos sonoros em diversas fontes musicais, como Samba, Soul, Chamamé, Guarânia, Bolero, etc. Em sua trajetória, o Escambau apresentou-se em grande parte do território nacional e realizou cinco turnês sul-americanas, sendo a última delas “Duro en mi coche”, em julho de 2018.

Escambau é:
Giovanni Caruso – voz, guitarra;
Paraguaya – voz, percussão e sintetizador;
Zo – guitarra;
Yan Lemos – baixo e voz;
Babi Age – bateria.
Redes Sociais:
Facebook www.facebook.com/escbanda
Twitter www.twitter.com/ESCAMBAUoficial
Youtube www.youtube.com/ESCAMBAUoficial
Spotify https://open.spotify.com/artist/5A9wuZoMAlH0P2eFN7Fd7u
Deezer: www.deezer.com/br/artist/7105069
Discografia:
Acontece nas Melhores Famílias (2009)
Ordem e Progresso via Pão & Circo (2011)
Novo Tentamento (2014)
Sopa de Cabeça de Bagre (2017)
Eléctrico (2018)
Leite de Pedra (2019)
Escambau – Viagem Astral com Júpiter Maçã [Single, 2020]
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