Após censura, CCBNB cancela toda a programação em Fortaleza

  Após o episódio em que censurou obra dos artistas Eduardo Bruno e Waldírio Castro, revelada com exclusividade pelo Farofafá no dia 28 de maio, o Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil (CCBNB) em Fortaleza (CE), aprofundou sua crise e cancelou essa semana toda sua programação artística. Todos os artistas que tinham projetos em andamento ou preparavam shows, concertos, exposições...

De quando o blues sacode a metrópole

  Os nomes históricos do blues estão quase todos desaparecendo: B.B. King morreu, Dr. John morreu, James Cotton morreu. Por isso, quando um cara como o bluesman Roy Rogers, de 68 anos, está de passagem pela cidade, é bom tirar um tempo que você provavelmente nem tem para vê-lo, porque ele é uma ponte entre mundos. Roy tocou com John Lee...

A autoridade de Francineth

Uma grande voz do samba canta a canção que enfureceu o general, Cambão, em show no Sesc Pompeia Plantei arroz, plantei feijão/De sol a sol eu trabalhei que só um boi ladrão/E a safra, vai vendo irmão, a maior parte ficou toda com o patrão Essa música de fundo de reforma agrária, Cambão, composição do pernambucano Luiz Vieira, ouvida num remoto...

A autocomiseração do homem-foguete

Taron Egerton é Elton John
Em sua espiral de autodepreciação e descontrole emocional, Rocketman talvez só encontre paralelo em O Ébrio, a personificação cinematográfica de Vicente Celestino (1894-1968). Em duas horas de filme, a vulnerabilidade absoluta do personagem Elton John faz com que o espectador tenha vontade de, no mínimo, adotá-lo. Um doce surrealismo de folhetim, surrealismo de feira da Praça da República, tinge todo...

Virada suada

Uma mulher sem dentes, na Estação da Luz, andava pela calçada com uma marmita de alumínio e berrava: “Não olhem para mim comendo! Quem olhar para mim comendo eu jogo o prato de comida na cara!”. A primeira Virada Cultural da era bolsonariana embutia duas preces. A primeira, que não se permita que haja uma segunda edição sob esse signo da falência da razão....

O som hipnótico da Ave Sangria

O cosmopolitismo da banda pernambucana Ave Sangria no Nordeste dos anos 1970 desmente todas as teses sobre a evolução do som regional que desenvolvemos nos últimos anos. Na Choperia do Sesc, ontem à noite, eu ficava ouvindo o som hipnótico daquelas guitarras (Paulo Rafael e Almir de Oliveira), do baixo e das vocalizações do grupo e dizia a mim mesmo...

Zé Ramalho da Paraíba, quase 70

O rosto de Zé Ramalho é como se tivesse lava escorrida de um vulcão antigo, é cheio de sulcos e formações rochosas indiferentes, tipo as colinas de Lanzarote. Ele ri pouco, e mesmo quando ri é uma risada que parece de alguma forma dolorosa, incubada. E ele sempre termina suas canções com um lamento, um uivo de novena. Ele...

Elba Ramalho: ouro do pó da estrada

Elba Ramalho fotografada por Mana FernandesEm 1971, de passagem pela cidade de São Bento do Una, em Pernambuco, Luiz Gonzaga entrou numa agência do Banco do Brasil para fazer uma transferência. O caixa ficou encantando com aquela notável presença e, conversador, arranjou um jeito de recomendar vivamente a Gonzagão: Luiz tinha que conhecer um compositor da cidade, Nelson Valença,...

Nas asas de Belchior

Quando a gente lança um livro, nunca sabe até onde ele pode chegar e como vai ser recebido.Mas, quando embarcamos com ele para os lugares aonde ele é enviado, dá uma certa sensação de responsabilidade - tipo aqueles batedores da Wells Fargo dos filmes, irmanados à diligência e sua carga. Eu me lancei na estrada, nos últimos meses, para...

Roger Waters enfrenta Bolsonaro. E é vaiado

"O neofascismo está em ascensão", diz o ex-vocalista do Pink Floyd, que cria músicas de enfrentamento aos totalitarismos desde os anos 1960 “Quem mandou ele vir aqui pra falar tanto? Teu negócio é cantar! Canta, porra!”, berrava, na arquibancada inferior, uma espectadora do show Us & Them, de Roger Waters, na noite passada, no Allianz Parque, em São Paulo. A moça...