domingo, julho 12, 2020

Tibério Gaspar (1943-2017)

"A gente corre na BR-3/ a gente morre na BR-3", cantou em tempo de soul music o rojão black power Toni Tornado, na rota para vencer a etapa nacional do Festival Internacional da Canção (FIC) de 1970 na Rede Globo. Em alta de popularidade, o ditador de plantão, Emílio Garrastazu Médici, foi apertar a mão do negão e lhe pedir que vencesse...

25 horas e ½ de Virada

Um evento realizado em 28 ruas abertas, 8 bibliotecas municipais, 9 centros culturais, 7 teatros municipais, 11 casas de cultura, 16 Viradinhas voltadas para o público infantil, 10 CEUs (Centros Educacionais Unificados) e 5 palcos montados nos bairros das zonas sul, leste e norte. A Virada Cultural impacta pela variedade de atrações. É preciso ser mais de um para...

Môa do Katendê: o 1º artista

O baiano Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Môa do Katendê, tem sido tratado como capoeirista no obituário sobre seu assassinato a facadas por um eleitor de Jair Bolsonaro, numa discussão na madrugada pós-eleitoral de 8 de outubro, em Salvador. Moa é, além disso, o primeiro artista a sucumbir à onda protofascista que emerge das urnas no Brasil de...

Quando Zumbi chega

O domingo 20, aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, abre a Semana da Consciência Negra, e FAROFAFÁ sugere cinco opções paulistanas para passar o dia comemorando, com cultura e festa, este belíssimo modo de nos orgulhar de ser brasileiros. 1. Música congolesa no Museu Afro Brasil – o grupo africano Os Escolhidos, da República Democrática do Congo, apresenta sua música às...

Rádio Farofa: negros como as noites que não têm luar

Mesmo depois de 93 músicas, ainda ficou faltando todo mundo. É porque a música brasileira é negra, como as noites que não têm luar. E a coletânea black Brasil ganha um significado a mais com a despedida de Nelson Mandela. 1. Paulo Diniz, "Como?" (1972) - de Luis Vagner, para Paullo Diniz, a versão original. 2. Hyldon, "Estrada Errada" (1976) - Nas garras do...

Aláfia enfrenta o Tucanistão

A coisa começa devagar. "São Paulo não é sopa/ São Paulo não é sopa/ São Paulo não é sopa/ SP sopa não é", constata a faixa-título de abertura de SP Não É Sopa, o terceiro álbum da black big band paulistana Aláfia. O registro sonoro, a um só tempo pop e erudito, oscila entre os afrossambas do maestro baiano...

A revolução mora ao lado

Ninguém está vendo a revolução. Ela acontece a poucos metros do posto de trabalho de Michel Temer e do Congresso Nacional sitiado pelas bancadas da bala, da Bíblia, do boi. Com entrada franca, o território livre (e totalmente cercado por grades) se chama Favela Sounds. Planta-se na Esplanada dos Ministérios, entre a catedral católica e o Museu Nacional de Brasília,...

‘Salve a música preta brasileira’

Liniker inova a MPB com uma voz poderosa e mantém viva uma tradição de grandes artistas negros MPB, a icônica sigla que transborda o território brasileiro, ganhou um novo sentido na sexta-feira. Na potente voz de Liniker, ela foi chamada de “Música Preta Brasileira”. Quem o viu no palco do Cine Joia, em São Paulo, não poderia concordar menos. Naquela...

A refavela desvenda 2017

"O filho perguntou pro pai/ onde é que tá o meu avô/ o meu avô onde é que tá/ o pai perguntou pro avô/ onde é que tá meu bisavô/ meu bisavô onde é que tá/ avô perguntou bisavô/ onde é que tá tataravô/ tataravô onde é que tá." Por um desses lapsos no espaço-tempo, as perguntas sem resposta...

Eu vim de Piri-Piri

É véspera do Dia da Consciência Negra no centro de São Paulo. Diante de um plateia jovem, predominantemente negra e mestiça, um homem luta para trocar a cadeira de rodas por um banquinho-e-violão. Três pessoas (inclusive sua filha) se debatem desastradamente para ajudar o "negro desbotado" (como ele próprio se classifica). A plateia segura o fôlego diante da interrupção...