‘Salve a música preta brasileira’

Liniker inova a MPB com uma voz poderosa e mantém viva uma tradição de grandes artistas negros MPB, a icônica sigla que transborda o território brasileiro, ganhou um novo sentido na sexta-feira. Na potente voz de Liniker, ela foi chamada de “Música Preta Brasileira”. Quem o viu no palco do Cine Joia, em São Paulo, não poderia concordar menos. Naquela...

Eu vim de Piri-Piri

É véspera do Dia da Consciência Negra no centro de São Paulo. Diante de um plateia jovem, predominantemente negra e mestiça, um homem luta para trocar a cadeira de rodas por um banquinho-e-violão. Três pessoas (inclusive sua filha) se debatem desastradamente para ajudar o "negro desbotado" (como ele próprio se classifica). A plateia segura o fôlego diante da interrupção...

O idioma da fresta, Olimpíadas, Rio de Janeiro,

Em poucos dias de Olimpíadas no Rio de Janeiro, a mídia internacional já exibe perplexidade e incômodo frente ao comportamento das torcedoras brasileiras nas arenas de competição. É o que expõe na manhã da primeira segunda-feira olímpica, por exemplo, uma reportagem da filial local da BBC (British Broadcast Corporation, a TV pública/estatal inglesa, não uma Rede Globo, mas uma TV...

Tibério Gaspar (1943-2017)

"A gente corre na BR-3/ a gente morre na BR-3", cantou em tempo de soul music o rojão black power Toni Tornado, na rota para vencer a etapa nacional do Festival Internacional da Canção (FIC) de 1970 na Rede Globo. Em alta de popularidade, o ditador de plantão, Emílio Garrastazu Médici, foi apertar a mão do negão e lhe pedir que vencesse...

Jornalismo cultural em CoMa

Chamou-se Convenção de Música e Arte, sigla CoMa. Aconteceu em Brasília, Capital do Golpe, entre 5 e 7 de agosto de 2017. Pareceu propício o nome, pelo número assombroso de instituições que, no Brasil pós-golpe, se encontram em estado de coma. De torpor. De anestesia. De ataque epiléptico. De catatonia. [youtube https://www.youtube.com/watch?v=S_mlvNeV5QI?ecver=1] Fui convidado para estar na mesa "Além da crítica cultural",...

A refavela desvenda 2017

"O filho perguntou pro pai/ onde é que tá o meu avô/ o meu avô onde é que tá/ o pai perguntou pro avô/ onde é que tá meu bisavô/ meu bisavô onde é que tá/ avô perguntou bisavô/ onde é que tá tataravô/ tataravô onde é que tá." Por um desses lapsos no espaço-tempo, as perguntas sem resposta...

Ventando contra a corrente

Era um festival musical como qualquer outro, mas com algumas peculiaridades. A terceira edição do independente Vento Festival aconteceu entre 15 e 18 de junho no centro algo desvalorizado da cidade litorânea paulista de São Sebastião, o que amplificou e democratizou o alcance de público em relação às duas edições anteriores. Até 2016, o festival acontecia na elitizada ilha-município vizinha...

Aláfia enfrenta o Tucanistão

A coisa começa devagar. "São Paulo não é sopa/ São Paulo não é sopa/ São Paulo não é sopa/ SP sopa não é", constata a faixa-título de abertura de SP Não É Sopa, o terceiro álbum da black big band paulistana Aláfia. O registro sonoro, a um só tempo pop e erudito, oscila entre os afrossambas do maestro baiano...

Rádio Farofa: Banana menina tem vitamina

A 15 minutos do início da Copa do Mundo no Brasil, o país que tanto já se autoescamoteou por trás da fórmula "não somos racistas" acordou de repente discutindo racismo. As bananas viraram símbolo controverso de um clamor vocalizado até mesmo pela presidenta da república tropical que um dia já foi rotulado de "república de bananas". E isso tudo...

De Evinha a Dexter

Do alto de seus 76 anos, do vestido longo e dos sapatos de salto plataforma, Claudette Soares (carioca) evoca a pilantragem para o público que amanhece com ela no Theatro Municipal, no domingo paulistano de Virada Cultural. A brava cantora que já foi princesinha do baião, dona da bossa nova, porta-voz da tropicália e ponta-de-lança de baladas de Roberto Carlos (capixaba) explica a...