Tony com o parceiro Frankye na capa do seu memorável disco de soul music brasileira

Morreu na manhã desta segunda-feira aos 73 anos (faria 74 em 19 de abril), em São Paulo, o cantor, compositor e produtor Tony Bizarro, um dos pioneiros da soul music brasileira. Tony sofria do Mal de Alzheimer e chegou a ficar internado em uma clínica no litoral paulista durante anos, mas nos últimos dois anos estava vivendo em São Paulo. Como morreu a caminho de um hospital, a família ainda batalhava na tarde desta segunda-feira para fazer os procedimentos obrigatórios no Instituto Médico Legal (IML), necessários para quem morre nessa situação.

Influenciado por James Brown e Four Tops, o paulistano Luiz Antonio Bizarro foi revelado no início dos anos 1970, quando gravou um single lendário, Adeus, amigo vagabundo (Tony/Frankye/Adriano), ao lado do parceiro Fortunato Arduini, o Frankye (que morreu em 2017).

Com o barulho que causou esse hit da dupla, gravado também pelos Incríveis, o jovem produtor Raul Seixas foi escalado pela CBS para produzir o disco de estreia da dupla Tony e Frankye. O disco tem um suingue imbatível e é impecável, mas Raul caprichou demais num hit que não era muito da praia da dupla, Vamos lá para ver, que é um baião. Raul, que intuía que o som não poderia ser demasiadamente derivativo do som gringo, o aproximou do suingue nacional. Acontece que essa faixa destacou-se de todas as outras e criou uma expectativa de que continuariam nessa linha.

O disco saiu em 1971 e foi um grande sucesso, os artistas fizeram mais de 200 shows num único ano, mas quando a gravadora os chamou para gravar o segundo álbum, exigia que centrassem fogo em canções de duplo sentido e Frankye não topou, separando a dupla. A partir daí, Tony Bizarro se destacou como produtor, trabalhando em discos de Cassiano, Odair José, Diana e Sidney Magal.

Como artista solo, só gravou 2 álbuns. Em 1977, lançou Nesse Inverno (CBS), que trazia o hit Adeus, Amigo Vagabundo (Tributo a Brian Jones) e canções de Mauro Motta e Robson Jorge e parcerias com Carlos Lemos, Yara e Tulla. O último trabalho, Estou Livre (Amplitude Records) saiu em 2008, um álbum feito somente com teclado, baixo, sax e guitarra (de Luís Vagner, ícone do samba-rock, também morto recentemente), com uma orientação dance e alguns convidados, como BNegão, Thaide e outros.

 

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