A cantora e ex-ministra da Cultura, Ana de Hollanda (foto Geraldo Magela/Agência Senado)

A cantora e ex-ministra da Cultura no governo Dilma Rousseff, Ana de Hollanda, irmã do cantor e compositor Chico Buarque, publicou neste sábado, 13, um comentário em grupos de ativistas culturais que botou mais gasolina no incêndio da regulamentação do streaming. E não só: a intervenção da ex-ministra também exuma alguns traumas do passado da gestão cultural, pressões supostamente desleais que ela teria sofrido quando esteve no governo, entre 2011 e 2012. Ana de Hollanda foi demitida por Dilma Rousseff e substituída por Marta Suplicy.

O texto de Ana, do qual FAROFAFÁ confirmou ontem a autenticidade, acusa um dos interlocutores do governo na gestão Lula, o senador Randolfe Rodrigues, de se postar historicamente a favor dos interesses das big techs. “Quando eu era ministra da Cultura, ele defendia furiosamente a Google, através de seu braço na cultura, o Creative Commons“, acusa Ana. “Ele era radicalmente contra os direitos autorais. Agora ele, sempre ele, se alia aos senadores comprometidos com os streamings, na maioria ligado às big techs, contra os cineastas brasileiros”.

A ex-ministra defende o ator Wagner Moura, alvo de pressões devido ao vídeo que divulgou na quarta, publicado pelo FAROFAFÁ inicialmente e que depois viralizou, assim como também critica a produtora Paula Lavigne e a atual gestão do Ministério da Cultura, artífices das negociações que resultaram no texto aprovado pela Câmara dos Deputados – e considerado altamente insatisfatório pelo setor audiovisual. Ana de Hollanda considera “imoral” o acordo firmado com o relator da matéria, deputado Dr. Luizinho, na Câmara. Esse acordo virou o parâmetro das condições em que o Video Sob Demanda (VoD) poderá ser regulamentado e definir as regras que vão nortear o mercado do streaming (e as plataformas internacionais) daqui por diante – nesse momento, está no Senado Federal, nas mãos do senador bolsonarista Eduardo Gomes (PL-TO).

“Se por acaso a cultura, o cinema e todos os recursos perderem, paciência: fomos derrotados pela indústria estrangeira subsidiada pelo nosso orçamento”, conclui a ex-ministra. “Mas aceitar essa imoralidade de mão beijada, nem os bolsonaristas fariam, acredito”.

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