“O sorriso que era escasso logo se escancarou” é uma das imagens bonitas da letra de “Jardineiro”, single que a paulista Fizeram a Elza lança amanhã (6) nas plataformas de streaming. O pífano logo na abertura, dialogando com a cozinha rock’n roll da banda, garante a aproximação com o universo da música nordestina, de onde vem o convidado especial da faixa, o pernambucano Ortinho.
O jardim, na música, é uma metáfora para falar de amizade, de sua importância e delicadeza, sobretudo no momento de reclusão que atravessamos (e seguimos atravessando), com seus altos e baixos, como são as amizades sinceras.
O sexteto começou a se encontrar em 2019 e, como toda classe artística brasileira, teve suas atividades interrompidas pela prolongada pandemia de covid-19. “Hecatombe” é o muito apropriado título de seu primeiro EP.
A banda é formada por Barbara Felix Dias (voz), Breno Ayres (baixo, violão, vocais), Gil Oliveira (guitarra, violão, vocais e virtual sounds), Deivison Santana (percussão), Guilherme Zupo (percussão) e Ney Paiva (bateria). Além de Ortinho (voz), “Jardineiro” conta também com as participações especiais de Simone Sou (pandeiros) e Vinicius de Oliveira (pífano).
O single foi gravado no estúdio Orange e mixado e masterizado por Estevan Sinkovitz. O projeto foi um dos 60 contemplados no 9º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes do Município de Santos, o Facult.
“Elza no linguajar LGBTQIA+, que é baseado no iorubá, significa roubo, então, “Fizeram a Elza”, quer dizer que roubaram. O nome, pra gente, tem dois sentidos: o primeiro é que a gente tinha um nome, mas esse nome foi roubado, alguém pegou e registrou esse nome, acho que escutou a gente falando, a gente ficou p da vida, mas “ah, vamos pensar outro nome”, a gente ficou pensando, pensando, “poxa, fizeram a Elza no nosso nome”, “ah, esse é um bom nome”. Essa é uma das razões. O outro sentido é que a gente fala muito de Brasil, do contexto, a gente historicamente foi roubado, por muito tempo, até hoje tem esse contexto das nações mais ricas explorarem nosso país, levarem nossas riquezas, o colonialismo levou muito ouro, muitos recursos daqui, deixou várias chagas, então fala do nosso contexto histórico de que o brasileiro é sempre roubado pelos poderosos, pelas nações poderosas”, resume Gil Oliveira, autor do single, com exclusividade para o Farofafá.
“Cada música aborda um ritmo e temática diferente, trazendo de forma poética, temas contundentes como a saga dos imigrantes, a desigualdade social e seus efeitos no indivíduo”, Barbara Felix Dias antecipa o conteúdo das cinco faixas de “Hecatombe”, que chega às plataformas no próximo dia 29 de julho.


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