Mario Frias, secretário de Cultura, ao centro, com seus subordinados e seu mentor Eduardo Bolsonaro (de avental)

O governo federal vai levar todo o seu primeiro escalão da cultura para a viagem que o presidente Jair Bolsonaro fará pela Rússia (Moscou), Hungria (Budapeste) e Polônia (Varsóvia e Cracóvia) entre os dias 13 e 23 deste mês. Estão na comitiva o secretário Especial de Cultura, Mario Frias, e os seus subsecretários André Porciuncula (Fomento e Incentivo à Cultura), Hélio Ferraz (secretário Adjunto e indicado recentemente à diretoria da Ancine), Felipe Pedri (secretário Nacional do Audiovisual), Raphael Azevedo (Chefe de Gabinete) e, para assessorar Frias, Gustavo Souza Torres, coordenador-geral de Relações Multilaterais da Assessoria Especial de Relações Internacionais. Não foi divulgada a agenda cultural do programa da visita.

Esse time de Mario Frias já esteve acompanhando o presidente na comitiva para Dubai, e esteve em eventos em Barcelona e Los Angeles, mas não se sabe até hoje que tipo de acordo cultural bilateral tenha fechado em sua saga de milhagem. Há também a questão de saúde pública: o staff de Mario Frias, orgulhoso de sua condição de discípulos do guru Olavo de Carvalho, é declaradamente negacionista e o próprio secretário alardeia que não se vacinou contra a Covid-19, o que torna uma temeridade sua circulação por aeroportos internacionais.

As atuações do grupo na cultura devem terminar esse ano com um legado incontestável: será a pior gestão da História no setor. Em algumas autarquias, por exemplo, o resultado já vai sendo consolidado estatisticamente – caso da Ancine, considerada a 2ª pior gestão entre as agências reguladoras de 2021.

Frias tornou-se um tipo de bode decorativo na sala, sua agenda está vazia há meses. Na semana passada, ele excluiu a si mesmo da Comissão Interministerial dos 200 anos da Independência, colocando Hélio Ferraz no seu lugar.

O discurso ideologizante de Frias e Porciuncula, seu mais solícito auxiliar, desmorona com qualquer exame rápido de sua ação na área. Por exemplo: eles se jactam de ter transformado a Lei Rouanet em um paraíso para os produtores mais pobres e de ter barrado os ricos. Mas os projetos aprovados seguem mantendo a lógica da concentração e do privilégio – recentemente, Porciuncula aprovou a captação de R$ 6 milhões para o projeto Natal do Santander 2022, banco que fechou o ano de 2021 com lucro de R$ 16,347 bilhões, uma alta de 7% em relação a 2020.

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