Nonadatudo. Reprodução
Nonadatudo. Reprodução

O resultado estético do livro enquanto objeto, para além de seu conteúdo, é uma das preocupações que move desde sempre o trabalho do poeta maranhense Celso Borges, algo perceptível pelo menos desde a trilogia “A posição da poesia é oposição”, formada pelos livros-cds “XXI” (2000), “Música” (2006) e “Belle Epoque” (2010), além do volume “O futuro tem o coração antigo” (2013, 2018).

Celso Borges é da turma da “fazeção”: “quer fazer, faz!”, dizia um dos manifestos da revista “Pitomba!“, editada por ele com Bruno Azevêdo e Reuben, que durou cinco números. Isto é, não tem crise (criativa ou de outra ordem) ou preço de papel que impeça o poeta de botar seu bloco na rua.

No próximo sábado (14), às 16h, no Café Guará/ Chico Discos (esquina das ruas São João e dos Afogados, Centro), ele lança o quinto volume da série “Poéticas afetivas”, inventada por ele com pequenos livros, de contos e poemas curtos, sempre em parceria com artistas visuais. É como se o extended play (EP) chegasse à literatura, à poesia.

O título da vez é o poema visual “Nonadatudo”, que Celso Borges realiza junto com o artista visual Cláudio Costa. O título relê a primeira palavra lida em “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa, obra fundamental da literatura brasileira. O projeto gráfico do volume é do designer e cantor Cláudio Lima.

As páginas de “Nonadatudo” foram realizadas a partir de fotografias do verso sobre estênceis de ferro, com papéis de livros antigos esfarelados pelas mãos de Celso Borges e Cláudio Costa.

Durante o lançamento será exibido o vídeo “Nonadatudo”, da cineasta Naýra Albuquerque, uma espécie de making of do trabalho. “Quando vi os dois, disse pra mim: não posso perder essa oportunidade de filmá-los trabalhando juntos”, declarou.

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