Polícia guarda muro da Ancine
Polícia guarda muro da Ancine de manifestantes que protestam contra os retrocessos na Cultura

Na noite desta segunda, 9, a polícia do Rio de Janeiro abordou manifestantes que protestavam na frente da Agência Nacional de Cinema (Ancine) contra o desmonte da cultura pelo governo Bolsonaro. Estavam presentes ao protesto representantes dos coletivos Reage Artista, Ocupa Minc e Filma Rio. Durante o ato, foi feito um “Cartazaço” em protesto contra a ordem de retirada dos cartazes do cinema nacional que haviam sido colocados ontem nos tapumes da obra do MinC. Os cartazes não chegaram a ficar 24 horas no tapume – foram retirados logo cedo pelos operários da obra. Seis horas depois o muro estava com novo protesto, dessa vez sem cartazes, mas com frases que remetiam a uma resistência à censura. “Sem filme, sem cartaz” e “#CinemaResiste” eram algumas das frases. A polícia agora faz policiamento ostensivo em torno do muro alegando proteger um bem público.

Os protestos dos ativistas devem-se à atual postura da Ancine em relação ao cinema nacional. Essa semana, a Ancine iniciou um tipo de cruzada insólita contra o cinema que deveria promover, divulgar e fomentar. Primeiro, a direção da agência mandou retirar os cartazes de filmes brasileiros históricos de suas dependências e também do seu site. A atitude gerou uma corrente nas redes sociais, todo mundo postando cartazes de filmes em sinal de apoio ao cinema. Em seguida, foi proibida pela direção da Agência a exibição do filme brasileiro que disputa do Oscar, A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, que ilustraria um curso de aperfeiçoamento para funcionários da agência em suas dependências. Aïnouz é crítico do governo Bolsonaro. Acredita-se que a ordem para essas iniciativas tenha partido da atual Secretária do Audiovisual do governo Bolsonaro, Katiane Gouvêa, a mando de Roberto Alvim, secretário Especial de Cultura do Ministério do Turismo.
Os retrocessos na Ancine chamam a atenção em toda a comunidade cinematográfica, no Brasil e no exterior. No sábado (7), em Nova York, após a exibição do filme Marighella no African Diaspora International Film Festival, o diretor e ator Wagner Moura denunciou boicote ao filme na agência e disse que “a Ancine está destruída”.

Em discurso também nessa noite de segunda, 9, na abertura do Festival de Cinema do Rio, a atriz Mariana Ximenes discursou vestida com uma roupa de cartazes do cinema brasileiro, em mais um protesto que tem se tornado regra nas atividades do audiovisual brasileiro. “Vim aqui hoje, assim, coberta por esses cartazes, vestida com essas imagens que são muito mais do que simples peças de divulgação; são verdadeiros estandartes, são os estandartes da nossa resistência nessa luta muito importante contra o desmonte da cultura brasileira”, discursou Mariana.

As imagens do assédio da polícia aos manifestantes foram feitas por Constancia Laviola

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