Arnaldo Baptista no Teatro Sesc Santos em 2011 - foto: Daniel Moretti/ divulgação
Arnaldo Baptista no Teatro Sesc Santos em 2011 - foto: Daniel Moretti/ divulgação

Aos 78 anos completados no último dia 6 de julho, o multi-instrumentista, compositor, cantor, escritor e artista visual Arnaldo Baptista recebe grandiosa homenagem pela efeméride: chegou hoje (4), às plataformas de streaming uma coletânea quádrupla, com 56 releituras da obra do eterno mutante, reunindo mais de 60 artistas — há faixas repetidas, o que torna tudo ainda mais interessante: como cada um/a enxerga e recria, à sua maneira, a obra do mestre? “Ai, garupa” (lançada originalmente em “Let it bed”, de 2004), por exemplo, recebe releituras de João Leopoldo, Irmão Victor e Pélico.

"Cobre" - capa/ reprodução
“Cobre” – capa/ reprodução
"Sunny" - capa/ reprodução
“Sunny” – capa/ reprodução
"Pink" - capa/ reprodução
“Pink” – capa/ reprodução
"Jeans" - capa/ reprodução
“Jeans” – capa/ reprodução

Os quatro volumes da homenagem concentram-se exclusivamente na obra solo de Arnaldo Baptista (não há releituras dOs Mutantes) e são intituladas “Cobre”, “Sunny”, “Pink” e “Jeans” e a homenagem se completa com um documentário sobre “Arnaldo Baptista 7.8 – Canções Inesquecíveis Revisitadas” (que será disponibilizado ainda em setembro).

Meio Desligado. Da esquerda para a direita: Ná Ozzetti, Fábio Tagliaferri, Mário Manga e Ana Deriggi - foto: divulgação
Meio Desligado. Da esquerda para a direita: Ná Ozzetti, Fábio Tagliaferri, Mário Manga e Ana Deriggi – foto: divulgação

Além do trio citado, o projeto conta ainda com as presenças de Furtos do Mar, Boogarins, Pedro Precisa, Anvil FX, Los Borges, Egisto Dal Santo, Lina Cosmic, Bruna Lucchesi, Mustache e Os Apaches, Bufo Borealis, Fernando Brandt, Pamela Simões, Léo Jaime (no romantismo de duplo sentido de “Cozinho de noite”, parceria dele com o homenageado), Meio Desligado (grupo que toma emprestado quase o título de um clássico dOs Mutantes, reunindo Mário Manga, Ná Ozzetti, Ana Deriggi e Fábio Tagliaferri), Sandra Sá, Amanda Cadore, Kiko Zambianchi, Antiprisma, Marina Mole, Nicolas Não Tem Banda, Hyldon, Pombo, O Louco do Estúdio, Zé Ramalho, Gueersh, Juliano Gauche, Cachorro Grande, Hélio Flanders, Zeca Baleiro, Edgard Scandurra, Ema Stoned, Violeta de Outono, Márcio Lomiranda, Marina Melo, Bruno Duprat, Taryn, Selma Fernands, Daniel Conti, Selvagens à Procura de Lei, Ottopapi, Chinaina, Clemente e A Fantástica Banda Sem Nome, Camila Modicoviski, Alan Carlos Férrea, Bartenders, Exclusive Os Cabides, Kisser Clan, Andreas Kisser, Yohan Kisser, Undo, Jovem, Renomado (que recriou a irônica, ácida, crítica e atualíssima “Sr. empresário”), Drenna, Clara Bicho, Gabriel Campos, Lulina, Hurso, Doce Creolina, Rod Krieger, John Ulhoa (em “To burn or not to burn”, originalmente lançada em “Let it bed”, produzido pelo guitarrista do Pato Fu), Defalla, Pedra Relógio, Thunderbird e Janine. Cada presença é fruto exclusivo da vontade: não houve convocatória, projeto ou orçamento. Os frutos aí são orgânicos.

Faz-se questão de listar todos os intérpretes que participam do tributo: percebe-se a diversidade — de estilos, gêneros e gerações — na tradução da importância da obra de Arnaldo Baptista e da influência do artista sobre tudo o que surgiu depois dele.

Renomado. Da esquerda para a direita: Luiz César Pimentel e Bruno Berlendis (sentados), Rainer Pappon, Roberto Sadovski, Ubiratan Castellano e Mario Cereda - foto: divulgação
Renomado. Da esquerda para a direita: Luiz César Pimentel e Bruno Berlendis (sentados), Rainer Pappon, Roberto Sadovski, Ubiratan Castellano e Mario Cereda – foto: divulgação

A lista tem artistas consagrados e emergentes, mais ou menos conhecidos do grande público, quem tenha feito muito sucesso em décadas passadas e anda meio desaparecido das paradas, devotos confessos do “Lóki” e até mesmo uma banda formada exclusivamente para o projeto, a Renomado, uma das maiores provas da forte influência do homenageado, que tem entre seus integrantes o jornalista Luiz César Pimentel, que assina o release de divulgação de “Arnaldo Baptista 7.8”.

A grande mesa posta para o banquete musical atesta: estamos diante da reinvenção da vasta obra de um dos mais importantes nomes da música brasileira, para muito além dos rótulos da esquisitice com que sempre se costumou etiquetá-la, desde os tempos de Os Mutantes e além.

Em nenhum momento “Arnaldo Baptista 7.8” soa saudosista: o único retrovisor que se mira nestas regravações são suas próprias letras e músicas, pois as releituras, mesmo de artistas mais velhos, apontam para a frente. Não se trata de uma revisão pura e simples, tampouco se chega a uma descaracterização ou coisa que o valha: o cheiro de liberdade criativa está no ar, algo que sempre pautou o fazer artístico do homenageado, não apenas musicalmente falando.

Por falar nisso, a capa dos singles, também disponíveis nas plataformas de streaming (simultaneamente nos perfis de Arnaldo Baptista e de cada artista e grupo que lhe rendem homenagens), lançados há poucos dias, antecedendo o lançamento dos quatro volumes de “Arnaldo Baptista 7.8”, da designer Ste Marino sobre arte de Rogério Puhl, é também influenciada pelo artista visual Arnaldo Baptista (os títulos dos quatro volumes vêm das cores escolhidas por ela para cada um).

Se de futuro é feita grande parte da ficção científica — outro tema da predileção do homenageado (que recentemente lançou suas “Ficções completas”) —, a música do futuro chegou, criada por um artista do presente e na ativa. No passado está o início de sua história, mas Arnaldo Baptista, ainda que sua discografia solo seja enxuta e espaçada, nunca deixou apagar a eletricidade de sua criação — na música e em vários campos da arte, nunca é demais lembrar, e esta homenagem muito apropriada é mais que merecida.

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Ouça “Cobre”, “Sunny”, “Pink” e “Jeans”:

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