Mario Frias e Flávio Bolsonaro, presumivelmente produtor e atravessador do filme "Dark Horse"

O professor e advogado José Fernandes da Silva Júnior, do Rio de Janeiro, ingressou com uma representação criminal junto à Procuradoria Geral da República pedindo o bloqueio cautelar da bilheteria do filme Dark Horse (O Azarão), produção que pretende fazer o elogio da figura do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. A manifestação de Fernandes Júnior se baseia no fato de que o financiamento do filme, como amplamente noticiado na imprensa (e admitido por parte dos seus financiadores, os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro), provém dos recursos do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Esses recursos, por sua vez, têm origem ilícita e levaram o Banco Central a lançar mão do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para ressarcir danos.

A representação aponta que os recursos declarados em diversas entrevistas dadas pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da república, ultrapassam 10 milhões de dólares (cerca de 61 milhões de reais). Para Fernandes, o fato de que se trata de um investimento que o ex-banqueiro, agora preso, Daniel Vorcaro, aportou na produção, é preciso tomar as medidas cabíveis para atenuar os efeitos da ação criminosa do grupo responsável, que inclui a sangria de diversos fundos previdenciários dos Estados brasileiros, além de fraudes financeiras. José Fernandes da Silva Junior é o criador e apresentador do Portal do José, um canal de análises políticas e sociais no Youtube. Seu canal reúne aproximadamente 1 milhão de inscritos e conta com mais de 400 milhões de visualisações.

Para se ter uma ideia do volume de recursos brasileiros destinados à produção, estimado em 134 milhões de reais, é possível comparar com o total do investimento público em cinema no ano passado. Segundo a Agência Nacional de Cinema Ancine, o investimento em produções em 2025(pela via do Fundo Setorial do Audiovisual) foi de 564,3 milhões de reais (outros 411 milhões foram destinados a financiamentos reembolsáveis e 437 milhões captados por produtores via leis de investimento). Considerando-se somente o investimento direto do FSA (564 milhões), o filme de Bolsonaro recebeu quase 25% do que TODOS os filmes brasileiros receberam no ano passado. E, em 2025, chegaram aos cinemas 250 novas produções de cinema (não necessariamente fruto do financiamento do ano de 2025, mas trabalhos que já vinham sendo produzidos). Ao todo, em 2025, a Ancine registrou cerca de 4 mil obras brasileiras não publicitárias (2,5 mil delas do cinema independente).

Há suspeitas que a família Bolsonaro não repassou à produção o valor que seria destinado ao filme, já que a produção é precária e ainda deve a empresas que prestaram serviços durante as filmagens em São Paulo. Uma casa nos Estados Unidos, onde vive um dos filhos de Bolsonaro, Eduardo, teria sido comprada com os recursos de Vorcaro. Pelo volume de recursos destinados, incluindo emendas parlamentares e recursos da prefeitura de São Paulo, é de se espantar que a produtora Go Up Entertainment (assim como outras instituições do mesmo grupo) não tenham nem sequer um endereço físico na capital paulista, segundo apurou a reportagem do FAROFAFÁ.

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LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DA REPRESENTAÇÃO DO ADVOGADO:

Como é de conhecimento público, há em andamento nesta PGR em conjunto com a POLÍCIA FEDERAL e o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, uma série de procedimentos voltados a responsabilização criminal e econômica do Sr DANIEL VORCARO, controlador do BANCO MASTER e também de diversas outras empresas que juntas acarretaram a maior fraude bancária de que se tem registro no Brasil. Como se sabe, a maior parte da fortuna amealhada pelo conglomerado de DANIEL VORCARO advém de “negócios” obscuros que lesaram inúmeros investidores, empresas e sobretudo fundos de pensão e aposentados em operações de crédito consignado. Em face desses fatos, a justiça determinou o bloqueio dos bens de VORCARO E SUAS EMPRESAS para o fim de ressarcimento dos múltiplos lesados conforme texto de matéria publicada em O GLOBO DE 28/04/2026 : “O montante é uma estimativa do prejuízo. Na atual fase da investigação, já foram apreendidos ou bloqueados bens como carros de luxo, aeronaves, joias e obras de arte que ainda estão sendo analisados. Também foram rastreadas contas bancárias e fundos ligados ao banqueiro. Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não iria se manifestar. A expectativa é que ele aponte ativos ainda não localizados, sobretudo no exterior, para consolidar o processo de delação. Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que, ao entregar os anexos, não basta indicar bens já rastreados. O entendimento é que, por ter gerenciado o suposto esquema, Vorcaro detém informações sobre a localização de mais valores, como offshores. Ele é suspeito de operar um esquema de criação e negociação de títulos de crédito falsos. O caso veio à tona durante as negociações para a venda da instituição ao BRB. Diante do agravamento da situação, o Banco Central decretou a liquidação do Master, em novembro do ano passado. A entrega de patrimônio ainda desconhecido é tratada como ponto central nas negociações. Na prática, uma eventual redução de pena dependerá da capacidade de indicar caminhos para recuperar esses recursos. Investigadores sustentam ainda que a recomposição do FGC precisa entrar nessa conta, além da multa pelos supostos crimes, que ainda vai ser calculada. Estimativas apontam que o fundo deve arcar com cerca de R$ 40,6 bilhões para clientes do Master que estavam cobertos pelas garantias, além de R$ 6,3 bilhões relativos ao Will Bank, integrante do conglomerado. A defesa, no entanto, avalia outros caminhos. A coluna de Malu Gaspar, do GLOBO, mostrou na semana passada que Vorcaro deve oferecer um ressarcimento bilionário para o rombo das previdências estaduais e municipais, mas que ele tem sinalizado que não pretende desembolsar recursos para o Banco de Brasília (BRB) e o FGC. Só a Rioprevidência, do governo do Rio, por exemplo, aportou R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Master após alertas. A Previdência do Amapá aplicou R$ 400 milhões no banco. PF mira em R$ 50 bi em patrimônio de Vorcaro para cobrir rombo do Master e calcula valor de jatinhos, carros de luxo, embarcações e joias Investigadores rastreiam recursos e aguardam novas informações sobre bens em delação; defesa do banqueiro não se manifesta Investigadores que atuam no caso Master têm rastreado bens e ativos do banqueiro Daniel Vorcaro no Brasil e no exterior e miram na recuperação de ao menos R$ 50 bilhões para cobrir o rombo deixado pelas fraudes no banco. Os valores poderão ser destinados ao ressarcimento de pessoas físicas, instituições financeiras, empresas e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A lei que regula a colaboração premiada aponta que o juiz poderá “conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal”, desde que a colaboração tenha algum resultado listado na lei, um deles é a recuperação total ou parcial do produto das infrações.” COMO se sabe, o grupo de VORCARO utilizou parte dos recursos auferidos para fazer duvidosos “investimentos” cinematográficos para “homenagear” um personagem preso e condenado pelo STF por tentativa de golpe e destruição de nossa democracia. Os recursos declarados em várias entrevistas dadas pelo SENADOR FLAVIO BOLSONARO, ultrapassam os 10 MILHÕES DE DÓLARES ou mais de 61 MILHÕES DE REAIS. Segundo o próprio senador FLAVIO BOLSONARO, trata-se de um INVESTIMENTO que VORCARO FEZ NA PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA! Isto posto, como sabemos que um investimento visa retorno financeiro, há que se tomar todas as medidas possíveis de modo a atenuar os efeitos das ações criminosas desta verdadeira ORCRIM. Deste modo, requeiro a esta PGR que já inicie a tomada de iniciativas CAUTELARES visado o bloqueio de todas as receitas provenientes das bilheterias que o FILME DARK HORSE puder auferir no BRASIL, já que não é tarefa factível o tal bloqueio nos EUA e em outras nações onde o filme puder ser exibido.

Aguardando providências.

Atenciosamente

José Fernandes da S. Junior

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