Cartaz Groove Under the Groove - Divulgacao
Cartaz Groove Under the Groove - Divulgacao

Michael Jackson, Madonna, Stevie Wonder, Alcione, Aretha Franklin, Sergio Mendes, Earth, Wind & Fire, João Bosco, Dizzy Gillespie, Gloria Gaynor, Ray Charles, Roberto Carlos, Lionel Richie, Miles Davis, Will.I.Am, Ella Fitzgerald, Bob Dylan, João Gilberto, Herbie Hancock, George Benson, Rita Lee, Bruce Springsteen, Chaka Khan, Ney Matogrosso… O que esses nomes têm em comum? Paulinho da Costa.

Colher de cozinha, pandeiro, cincerro (cowbell), agogô, atabaque, cuíca, berimbau, reco-reco, ganzá, zabumba, maxilar de animal (jawbone), platinela de odalisca, grilo, chocalho, djembê (tambor africano), pau de chuva (rainmaker), garrafa de Coca-Cola, repenique, castanholas, triângulo, bongo, sinos de mão. Instrumentos de percussão, certo? Sim. Mas se estiverem nas mãos de Paulinho da Costa, são puro groove.

Don’t Stop ‘Til You Get Enough, Thriller, Beat It, La Isla Bonita, Like a Prayer, September, Serpentine Fire, Fantasy, We Are The World, I Will Survive, I’ve Had) The Time of My Life (Dirty Dancing), All Night Long, Say You, Say Me, I Will Always Love You, That’s What Friends Are For, Give Me the Night, Up Where We Belong, Da Ya Think I’m Sexy?, I’m So Excited, Nightshift, Dancing Days, Hotel California, Flor de Lis, Não Existe Pecado ao Sul do Equador, e outras inacreditáveis participações em 6.700 faixas musicais para 972 artistas. Este é Paulinho da Costa.

Com credenciais desse quilate, a expressão “dispensa apresentações” poderia ser útil para este personagem. Mas é o oposto. Chegar aos 77 anos, com 186 discos de ouro e platina, 59 Grammys (161 indicações), 12 canções e trilhas sonoras originais vencedoras do Oscar (como Purple Rain e Jurassic Park), e ainda ser desconhecido do grande público não é para qualquer um. Paulo Roberto da Costa, o Paulinho da Costa, é um brasileiro, carioca, nascido no Irajá, portelense, que construiu uma carreira nos bastidores da indústria musical norte-americana. Não é Tom Jobim ou João Gilberto. Muito menos Roberto Carlos, Anitta, Seu Jorge ou Alok. É somente um brasileiro.

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Há cinco décadas, ele vive nos Estados Unidos. Em 1972, a convite do pianista Sérgio Mendes mudou-se para Los Angeles. Três anos depois, gravou Love Machine, com o grupo The Miracles, o primeiro grupo produzido por Berry Gordy, dono da Motown Records. A banda temia se dissolver, após a perda do seu líder, Smokey Robinson. Mas já com o “Toque de Midas”, Paulinho da Costa emprestou seu groove à canção e ela chegou ao topo das paradas. Foi a primeira de uma série de sucessos.

Este é apenas um dos pequenos grandes achados do documentário The Groove Under the Groove, em cartaz na Netflix:

O filme de Oscar Rodrigues Alves reverencia Paulinho da Costa como um dos maiores artistas da música. E quem diz não é ele, mas Michael Jackson, para quem o brasileiro era “o maior percussionista do mundo” e “você move sua boca no groove, man!”. Ou Quincy Jones, que o considerava membro da família. O produtor Stewart Levine, vencedor de Oscars e Grammys, diz: “Ele toca qualquer coisa com um sorriso”. E é verdade. Ao empunhar um instrumento, Paulinho da Costa abre um sorriso largo e generoso, um sorriso que soa como um acorde resolvido, um sorriso que demora a ir embora e contagia a todos. É o groove debaixo do groove.

Casado com Arice, que o acompanha desde quando ele nem tinha propriamente uma carreira e teve participações decisivas. Algumas até direta, como quando o casal brasileiro apresentou Give me The Night para George Benson. No documentário, uma cena é inusitada: Benson e Paulinho da Costa tocam juntos, com o brasileiro deixando os instrumentos no chão e alternando-os com a agilidade de um ninja.

Paulinho da Costa faz parte de um grupo seleto de percussionistas brasileiros que moldaram a música norte-americana por dentro. Fazem parte dessa patota Airto Moreira, que gravou com Miles Davis e Chick Corea; Egberto Gismonti, referência no jazz e na música erudita europeia; e Hermeto Pascoal, reverenciado por músicos do mundo inteiro. Todos eles atuaram, muitas vezes, como músicos de estúdio, com ou sem palco próprio, e foram gigantes.

Na falta de registros das gravações, afinal instrumentistas estão quase sempre na cozinha das gravações e até apresentações, o documentário The Groove Under The Groove teve a feliz ideia de fazer Paulinho da Costa reproduzir os sons de sua percussão sobre as canções originais. Artista nato, ele consegue mostrar como criou uma batida singular com garrafas de refrigerante em Don’t Stop ‘Til You Get Enough, de Michael Jackson. Quem quiser ouvir, está ali, já no primeiro minuto da canção.

Oscar Rodrigues Alves conheceu Paulinho da Costa quatro décadas atrás. Na ocasião, ele gravou um comercial, que nunca foi ao ar, com percussionistas do mundo todo. Nunca mais tirou o artista com nome brasileiro de seu radar. O documentário fez o favor de trazer o carioca de Irajá de volta ao seu País, onde visitou a Bahia, acompanhado de Carlinhos Brown, e o Rio de Janeiro, onde encontra Zeca Pagodinho numa praça, e Monarco e Noca da Portela, na escola de samba, até seu desfile de consagração no Sambódromo, em 2015. As cenas mais emotivas e sensíveis surgem nesse momento. É quando o protagonista se revela.

No próximo dia 13 de maio, ele se tornará o primeiro brasileiro nascido no Brasil a ganhar um estrela na calçada da fama de Hollywood. Carmem Miranda, nascida em Portugal, tem a sua.

O mundo inteiro já ouviu Paulinho da Costa. Falta o Brasil descobri-lo.

The Groove Under the Groove – Os Sons de Paulinho da Costa. De Oscar Rodrigues Alves. Na Netflix.

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