“Eu tenho mais morrido de música do que vivido”, disse o cantor Belchior uma vez. Wilson Cirino, violonista, compositor, arranjador e mestre reconhecido do Pessoal do Ceará, atestou na pele essa máxima do seu parceiro cearense em canções, entre elas Três Vãos (1971). Nesta manhã de terça-feira, 28 de abril, aos 76 anos, após 15 dias internado em um hospital de Fortaleza, Cirino morreu de pneumonia – poucos dias antes de um anunciado show no Teatro Carlos Câmara (Rua Dr. João Moreira, 471, centro de Fortaleza), que arrecadaria recursos para ajudar o exímio violonista em sua tentativa de se recuperar da saúde frágil.
No começo dos anos 1970, em um apartamento em Copacabana, Cirino integrou, ao lado de Fagner, Belchior, Ednardo, Jorge Mello e outros, um sonho de invasão artística. Era o Pessoal do Ceará em arremetida ao coração do Sul Maravilha, buscando mostrar uma outra possibilidade musical que não fosse a Tropicália ou o rock progressivo. Em 2022, a mulher do artista, Solange Benevides, lançou o livro Entre Velas e Tubarões, perfil biográfico do companheiro, contando sua história artística e pessoal. O show coletivo solidário convocado para ajudar Wilson Cirino aconteceria na Sala de Espetáculos Rogério Mesquita, do Teatro Carlos Câmara.
A carreira de Cirino (1950-2026), natural de Aracati, no Ceará, começou em 1971, ao lado de Fagner, com o qual lançou um compacto simples, pela RGE, produzido por Nestor e Antonieta Bérgamo, com as músicas A Nova Conquista, de Fagner e Ricardo Bezerra, e Copa Luz, de Cirino e Sérgio Costa. Foi a estreia em disco, tanto dele, quanto de Fagner. Em 1974, sua composição Baião do Coração, parceria com Fred Teixeira, foi gravada por Simone, no LP Quatro Paredes. Em 1979, gravou o elepê Estrela Ferrada, pela CBS. Em 1981, gravou o disco Moenda, pela RCA Victor, com composições suas em parceria com artistas cearenses.
“Wilson Cirino, dos primeiros a se aventurar pelo Rio-SP com o Pessoal do Ceará, parceiro do baiano tropicalista Piti, de Clodo Ferreira, Sergio Costa, entre outros, com músicas gravadas por Simone e Elis (infelizmente inédita), arranjador do LP Cauim, de Ednardo, com dois discos solos e um compacto. Artista desse quilate precisa de ajuda com medicamentos e tratamento”, declarou Alan Morais, DJ e pesquisador musical, ao esforço de divulgação do evento de ajuda. O violonista teve complicações de Covid-19 no auge da pandemia. O show de ajuda à família de Cirino reúne, entre outros músicos, Eugênio Leandro, Calé Alencar, Pedro Madeira, Serginho Costa e Irmãos, Alan Morais, Marcos Melo, Bernardo Neto, Masôr Costa, Márcio Muamba, Dalwton Moura e Alana Benevides. O Sindicato dos Músicos do Ceará – Sindimuce apoia a realização do show. “Não sei viver nesse silêncio que fica sem seu violão “, declarou Solange, a mulher de Cirino.
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