João do Vale e Chico Buarque após uma pelada, amizade na música e no futebol - foto: reprodução
João do Vale e Chico Buarque após uma pelada, amizade na música e no futebol - foto: reprodução

O gênio improvável”, como no musical que lhe prestou homenagem; “o poeta do povo”, como na capa de um elepê seu; “o maranhense do século XX”, na votação popular que merecidamente venceu. Não faltam epítetos para se referir a João Batista do Vale (1934-1996) — “pobre no Maranhão, ou é Ribamar ou é Batista; eu saí Batista”, dizia —, ou simplesmente João do Vale, autor de um sem-número de clássicos da música popular brasileira: “Carcará”, “Pisa na fulô”, “O canto da ema”, “Na asa do vento”, para citar apenas alguns.

A véspera do dia das crianças é sua data de nascimento e uma programação agitou sua Pedreiras natal, celebrando a efeméride com alvorada musical, exibição de documentário e shows musicais em diversos espaços da cidade.

Gravado por nomes como Maria Bethânia, Nara Leão (1942-1989), Marinês (1935-2007), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Tião Carvalho, Zeca Baleiro, Tom Zé (também nascido num 11 de outubro), Cássia Eller (1962-2001) e Irene Portela (1945-1999), entre muitos outros, o legado de João do Vale merece celebração permanente.

FAROFAFÁ antecipa: no próximo dia 6 de dezembro, aniversário de seu falecimento, Pedreiras sediará o Festival João do Vale de Música Popular — Revival. O line up ainda está em construção, mas é certeza a presença dos vencedores das três edições do festival, idealizado e produzido pelo cantor Wilson Zara, em São Luís, nos anos de 2000, 2001 e 2008: Fábio Abreu, Davi Faray, além do encontro de Lena Garcia, Heline Jully e Dicy, respectivamente.

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As duas primeiras edições do festival foram realizadas no Zanzibar, espaço que acabou virando referência na cena cultural ludovicense da época, graças à curadoria de Wilson Zara, voz e violão residente; a última aconteceu no também finado Circo Cultural da Cidade, tendo este repórter integrado o júri do certame.

Artistas hoje reconhecidos no cenário da música popular brasileira produzida no Maranhão participaram das três edições do festival. O bacabalense Zé Lopes ficou em segundo lugar na primeira edição do evento, ocasião em que Bruno Batista ganhou o troféu de melhor letra; no ano seguinte ele ficaria em terceiro lugar com sua “Acontecesse”, gravada por ele em seu álbum de estreia e regravada no segundo, “Eu não sei sofrer em inglês”, com participação especial de Zeca Baleiro.

“Para muita gente, infelizmente, o Nordeste ainda é visto como sinônimo de atraso, então a ideia é uma celebração que equilibre o nordestino, e os anos 1960 e 70, quando João do Vale ficou muito conhecido, com a modernidade, simbolizando o diálogo entre a memória do passado e a vitalidade do presente. O festival é um ato de pertencimento e resistência cultural, uma experiência imersiva na cultura popular, com a presença de nomes da música que reverenciam o legado do mestre”, afirma o produtor Wilson Zara.

Em “Baião de viola” (parceria com Flora Matos), gravada por Marinês e depois por Tião Carvalho, João do Vale convida: “Eu gostaria que um dia/ vocês fossem visitar/ a cidade de Pedreiras/ Eu sei que iam gostar”. Em 6 de dezembro há um motivo mais que especial.

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