Os amigos Vincent e Maurice em "Gatos no Museu". Still. Reprodução
Os amigos Vincent e Maurice em "Gatos no Museu". Still. Reprodução

Monumentos em bronze dedicados a gatos podem ser avistados em ruas de São Petesburgo, na Rússia. Merecidos: os felinos salvaram obras de arte da destruição por roedores, quando os porões do Museu Hermitage, um dos mais famosos do mundo, foram evacuados para se tornarem abrigos antibombas, por ocasião da segunda guerra mundial. À época, os bichanos sumiram da cidade, comidos por pessoas famintas ou por outros animais. Com o fim da guerra, a cidade ficou tão enfestada de ratos que nem o flautista de Hamelin daria conta. Solidários, moradores de Tiumen, também na Rússia, e da Sibéria, fizeram chegar à São Petesburgo um trem com cinco mil gatos, que salvaram o acervo do Hermitage – descendentes dos gatos siberianos até hoje “trabalham” no museu.

É a partir deste mote que se desenvolve a trama de “Gatos no Museu” (“Koty Ermitazha”, animação, Rússia, 2023, 83 minutos, classificação livre), de Vasiliy Rovenskiy (“Animais em Apuro”, “Pinocchio, O Menino de Madeira”), que estreou ontem (10) nos cinemas brasileiros, com roteiro assinado por ele, Elvira Bushtets, Fyodor Derevyanskiy e Gerry Swallow, de “A Era do Gelo 2”. O filme acompanha as aventuras e desventuras do gato Vincent e seu amigo, o rato Maurice, que escapam de uma enchente e chegam de navio até o majestoso museu, instalado em 10 prédios ao longo do Rio Neva, com um acervo que soma mais de três milhões de peças.

O filme tem uma beleza comovente, que certamente agradará adultos e crianças, costurando em sua trama surpresas e reviravoltas, com Vincent e Maurice tendo que escapar da vigilância do esquadrão felino de elite. Ao mesmo tempo em que Vincent acredita ter encontrado sua turma, uma família, ele não pode abandonar Maurice e o dilema se instala, sobretudo pelo fato de o ratinho carregar em seus genes uma herança familiar que transforma obras de arte em objetos de cobiça – não apenas por seu valor em moeda corrente. A seu modo, “Gatos no Museu” leva o espectador a um pequeno passeio pela história da arte, e traz lições de amizade, afeto, fidelidade, coragem, tolerância, solidariedade e diversidade, no convívio com o diferente.

"Gatos no Museu". Cartaz. Reprodução
“Gatos no Museu”. Cartaz. Reprodução

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