Ben Yuen e Tai-Bo em cena de
Ben Yuen e Tai-Bo em cena de "Suk suk – Um amor em segredo". Frame. Reprodução

Tudo é beleza e delicadeza em “Suk suk – Um amor em segredo”: a própria história de amor que o filme conta, as paisagens de Hong Kong no qual a película foi rodada, a contemplação e a paciência por ela exigida. O filme começa com uma cena, longa para os mais apressadinhos, que se detém nos detalhes do sessentão Pak (Tai-Bo) limpando seu táxi.

Pak, que se recusa a se aposentar, passou os últimos anos de sua vida dirigindo cerca de 18 horas por dia, como diz a Hoi (Ben Yuen), a certa altura, para garantir o sustento da família, a que se dedicou por toda a vida.

O inusitado encontro acontece em uma praça e Pak e Hoi passam a viver o romance em segredo que dá título ao filme. Pak leva uma vida paralela, inventando desculpas para sair de casa, onde sua esposa cuida de tudo, constantemente reclamando do fato de o marido não ligar para nada.

Hoi criou sozinho o filho arrogante – já é avô, o que Pak também está prestes a se tornar – e não fez questão de insistir no relacionamento com a ex-esposa quando esta decidiu deixá-lo. Ele tem mais consciência, frequenta um grupo que é uma espécie de comunidade terapêutica e espaço de militância pelos direitos da população LGBTQIA+.

“Hoje, em Hong Kong, a comunidade LGBTQIA+ é geralmente mais aberta e a sociedade aceita mais os direitos dos homossexuais. No entanto, os homens gays mais velhos não puderam desfrutar dessas mudanças devido à sua adesão a valores culturais tradicionais estritos e laços familiares próximos. Do ponto de vista da geração mais jovem e ocidentalizada, esses homens parecem reprimidos, tristes e sem coragem de serem eles mesmos.”, comentou o diretor Ray Yeung, em material de divulgação distribuído à imprensa.

“Suk suk” é mais que uma história de amor (com ou sem invariáveis rótulos como “homossexual”) entre dois homens gays de idade avançada. De maneira lúdica, sem soar piegas ou panfletário da causa, o filme ajuda a jogar luzes sobre questões sociais, percorrendo temas como liberdade, envelhecimento, dignidade e família, conceito geralmente ainda regido pela heteronormatividade vigente.

Em tempos de escancarada intolerância, “Suk suk” deve fazer torcerem os narizes os preconceituosos de plantão e agradar cinéfilos e afeitos aos temas abordados. É uma obra de ficção, mas bem poderia ser um documentário. A história, bem contada, deve conseguir fazer outros perceberem que qualquer maneira de amor vale a pena, em qualquer tempo.

Suk suk. Cartaz. Reprodução
Suk suk. Cartaz. Reprodução
Serviço: “Suk suk – Um amor em segredo”. Drama/romance. Hong Kong, 2019, 92 minutos. Direção: Ray Yeung. Distribuição: Vitrine Filmes. Em cartaz nas salas de cinema brasileiras.

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Veja o trailer:

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