A Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, em São Paulo

A Ministra da Cultura, Margareth Menezes, assinou nesta segunda-feira, 24, um termo aditivo destinando 24,5 milhões de reais para a gestão da Cinemateca Brasileira em 2023. O valor representa quase 10 milhões a mais do que a antiga Secretaria Especial de Cultura repassou em 2022, 15 milhões de reais, e se aproxima do ideal que a Sociedade Amigos da Cinemateca, gestora da instituição, tinha projetado no ano passado.

A Cinemateca Brasileira vive um ambiente de renascimento na Vila Mariana, em São Paulo. Com ciclos de filmes ao ar livre, simpósios, feiras e ocupação de seu espaço pela comunidade local, a instituição não lembra nem de longe o abandono em que viveu até 2021, quando estava havia quase dois anos fechada. É o maior acervo de cinema da América Latina – no total, abriga cerca de 240 mil rolos de filme, com 41 mil títulos diferentes e um milhão de itens, alguns em material de nitrato de celulose, delicado e inflamável. A recuperação desse material requer investimento e cuidados técnicos especializados. Estão na Cinemateca, entre milhares de outros, os filmes das missões folclóricas de Mário de Andrade, de Claude-Lévi Strauss e filmes pioneiros de Humberto Mauro e Glauber Rocha.

O contrato de gestão da Cinemateca com a Sociedade Amigos da Cinemateca só foi assinado, no governo de Jair Bolsonaro, após intensa pressão da sociedade e do setor cinematográfico. Para isso, infelizmente, contribuiu um incêndio em um galpão de armazenamento de material que a Cinemateca possuía na Vila Leopoldina, em agosto de 2020, que destruiu completamente aquela unidade. Ainda assim, a transferência de gestão tinha recursos insuficientes.

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