Cena de Love Life, da HBO Max
Cena de Love Life, da HBO Max - Foto Divulgação

O título caça-clique é perfeito para resumir a trama de Love Life, lançada no ano passado pela HBO. Ambientada em uma Nova York mais pé no chão que a de Sex and the City, a série conta a história cheia de percalços de Darby Carter (Anna Kendrick), uma nova-iorquina classe média que almeja encontrar um amor duradouro. Em vez disso, ela tem de descobrir o amor em si mesma, o que, sabemos, é das tarefas mais difíceis da humanidade.

Em dez episódios de cerca de 40 minutos cada, a protagonista acaba conhecendo pretensos companheiros, alguns por quem até se torce para que o relacionamento engate de vez. Mas nessa comédia romântica, como também ocorre nas séries Modern Love (na Prime Vídeo) e High Fidelity (Starzplay/Amazon), as desavenças e os infortúnios são a tônica da trama. Sem eles, haveria pouca verossimilhança.

Darby começa a primeira temporada em um emprego nada glamuroso como monitora de um museu e termina como assistente de curadora, um sinal de que as coisas podem melhorar. Ela divide seu primeiro apartamento com as amigas Sara Yang (Zoe Chao) e Mallory (Sara Sasha Compère). A primeira se revela festeira e bem-resolvida, mas logo vemos que há questões de maior complexidade pendentes em sua vida. Mallory é negra e lésbica, e uma voz consciente no trio de amigas. As amizades servem de bússola na jornada de Darby em busca do amor de sua vida.

Mais do que falar dos amores exitosos, Love Life aborda o que não deu certo nos relacionamentos de Darby. Nessas situações, quando o chão parece se abrir diante de qualquer um, a protagonista descobre, na verdade, que muitas vezes ter rompido era a melhor das opções. E que aquela sensação de que nin-guém mais vai aparecer só dura até encontrar outra pessoa. Darby amadurece episódio a episódio, e descobre, de forma dolorida, que é preciso se afastar de relacionamentos tóxicos. Às vezes, ela própria decide se distanciar de um que não vê futuro, mas talvez houvesse.

A série ganha pontos nos pequenos detalhes que revelam o amor em toda sua extensão, em seus altos e baixos, tempos mornos ou não, banais ou emocionantes só para quem faz parte dele. Vistas de fora, cenas pueris soariam tolas ou insossas até. Mas Love Life ensina que carregar uma árvore de Natal por dez quarteirões com seu namorado, comprar móveis ou comemorar a ligação de um pretendente valem tanto quanto, afinal, “encontrar o amor de sua vida”. Uma segunda temporada da série já foi acertada, embora a sensação seja a de que uma outra Darby terá de surgir para que a história faça sentido.

Love Life. De Sam Boyd. Na HBO Max.

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