Os índios que abalaram Brasília

Vincent Carelli mora em Olinda há 16 anos. É um dos mais atuantes documentaristas brasileiros - na verdade, é francês: nasceu em Paris, em 1953, filho de um artista plástico brasileiro e uma professora francesa, e chegou ao Brasil com 5 anos. Seu novo filme, Martírio, exibido na semana passada no Festival de Brasília, virou o epicentro de um grande...

A mãe d’água levou

Estamos no meio do rio São Francisco, olhando para o horizonte. Estamos, mais precisamente no município de Cabrobó, em Pernambuco, na Ilha da Assunção, uma reserva de indígenas da etnia truká com 5.000 habitantes. João Amaro é um pescador truká que convive com o Velho Chico, com o lixo trazido às margens da ilha pelas águas e com a dificuldade de alimentar a...

Para nortear a festa

Elza Soares quis gritar um "fora Temer" pela fresta da festa de abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro? "Garota de Ipanema", "Aquarela do Brasil" e "País Tropical" são cartões postais sonoros inescapáveis para uma festa imodesta como esta? Anitta tem o direito de representar a música popular brasileira? O funk carioca e o tecnobrega paraense mereciam estar ali no epicentro do Maracanã...

O idioma da fresta, Olimpíadas, Rio de Janeiro,

Em poucos dias de Olimpíadas no Rio de Janeiro, a mídia internacional já exibe perplexidade e incômodo frente ao comportamento das torcedoras brasileiras nas arenas de competição. É o que expõe na manhã da primeira segunda-feira olímpica, por exemplo, uma reportagem da filial local da BBC (British Broadcast Corporation, a TV pública/estatal inglesa, não uma Rede Globo, mas uma TV...

Elza Soares contra os homens

Os versos são de Vinicius de Moraes, o poetinha ex-diplomata que nunca chegou a ser o mais progressista dos brasileiros. A música é de Baden Powell, que no final da vida extirpou a palavra "saravá" de suas canções e substituiu os antigos cantos de candomblé pela religião evangélica. Transtornado por Elza Soares, o "Canto de Ossanha" (1966) de Baden e Vinicius constituiu-se, para boas entendedoras,...

A festa joanina

  "Ô, Juninho! Cê é surdo?" Cambaleante, o bebum grita com insistência, tentando chamar a atenção do artista que está no alto do palco armado na praça central da cidade. Podia ser qualquer rua e praça de qualquer cidade e país. Mas nestes quatro dias juninos estamos vivendo em Joanópolis, o pequeno município paulista que gosta de dizer que nasceu de...

O esquecimento do presente

"Se tiver repressão eu tô perdida", brinca a cineasta paulistana Tata Amaral, sentada diante do computador na sede de sua produtora, a Tangerina Entretenimento. Ela se refere aos livros que a cercam, talvez à sinopse em que trabalha na tela, ao imaginário de esquerda que sempre lhe foi caro e presente. Mas poderia estar pensando também em Trago Comigo, seu filme em...

The wall

CERCA DE 300 GRAFITEIROS FORAM À ZONA LESTE PARA PINTAR UM MURO DE UM QUILÔMETRO DE EXTENSÃO. O COLORIDO ULTRAPASSOU OS LIMITES DO MURO Azul que é pura memória de algum lugar. Em maio, dona Joana de Oliveira Pereira contou 56 anos morando na rua Cisper, em Ermelino Matarazzo (zona leste de São Paulo), nos fundos da grande fábrica de vidro....

25 horas e ½ de Virada

Um evento realizado em 28 ruas abertas, 8 bibliotecas municipais, 9 centros culturais, 7 teatros municipais, 11 casas de cultura, 16 Viradinhas voltadas para o público infantil, 10 CEUs (Centros Educacionais Unificados) e 5 palcos montados nos bairros das zonas sul, leste e norte. A Virada Cultural impacta pela variedade de atrações. É preciso ser mais de um para...

A comunidade das comunidades isoladas

Enquanto o país navega em mares anti-institucionais, a comunidade cultural brasileira (muitas vezes organizada em um conjunto de ilhas) ouve falar da possível fagocitose do Ministério da Cultura pelo Ministério da Educação (*) e resiste a discutir as consequências que dali podem vir a se alastrar. Nesse caldo de (falta de) cultura, a instituição privada Itaú Cultural anuncia os 117 agraciados da...