Pioneira das fantasias na avenida, a imperial Olegária dos Anjos se veste de rainha para desfilar - doação de coleção familiar/acervo Rachel Valença

“Uma escola que cultua a liberdade não tem lugar: seria um mau exemplo.” Assim a pesquisadora Rachel Valença, co-autora do livro Serra, Serrinha, Serrano – O Império do Samba, sintetiza as tramas que afastaram o Império Serrano, nas últimas décadas, do clube seleto das escolas de samba com lugar garantido no topo do Carnaval globalizado do Rio de Janeiro. Na entrevista abaixo, feita na corrida de antes e depois do anúncio da primeira vitória do Império no grupo de acesso em nove anos, ela fala sobre organização de classe, racismo, misoginia e política, sempre do ponto de vista de uma imperiana.

Abre Plural - capa do livro nova edição

Pedro Alexandre Sanches: Gostaria que você falasse sobre a importância dos trabalhadores sindicalizados do porto na gênese do Império Serrano, e como você vê a presença deles na personalidade da escola em seu início.

Rachel Valença: O pessoal do Sindicato dos Arrumadores (que se distingue da classe dos estivadores) tem sua origem na Sociedade de Resistência dos Trabalhadores em Trapiche e Café, entidade sindical fundada em 1905, provavelmente a primeira organização de classe a congregar majoritariamente negros em seus quadros e em sua liderança. No núcleo fundador do Império Serrano era numerosa a presença de trabalhadores desse sindicato, que assumiam o compromisso de repassar à escola parte do salário recebido. Mas mais do que a contribuição em dinheiro, o que foi fundamental para a nova escola foi a organização: desde a diretoria, em que cada um tinha atribuições específicas (tal como no sindicato), o que teve consequência positiva na organização do desfile, até a noção de estrutura em alas com fantasias idênticas. A presença do pessoal do porto foi fator decisivo para as vitórias e para a maravilhosa estrutura democrática que perdura até hoje no Império Serrano.

PAS: Peço o mesmo em relação à participação feminina na escola, sobretudo pelo pioneirismo da Dona Ivone Lara, mas evidentemente não só por ela. De certo modo você própria é exemplo disso, não é mesmo?

Pioneira das fantasias na avenida, a imperial Olegária dos Anjos se veste de rainha para desfilar - doação de coleção familiar/acervo Rachel Valença
Pioneira das fantasias na avenida, a imperial Olegária dos Anjos se veste de rainha para desfilar – doação de coleção familiar/acervo Rachel Valença

RV: Sendo uma escola de matriz afrodescendente, a presença feminina sempre foi marcante. O matriarcado é um forte traço dessa cultura. No Império Serrano, desde a fundação, tivemos mulheres fortes, como Dona Eulália, a figura mais importante da escola em todos os tempos, Cinoca, Vovó Maria Joana Rezedeira, líder espiritual da Serrinha, e tantas outras. No entanto, seus nomes não constam da lista de fundadores, mas sim os de seus maridos, muitas vezes pessoas que sequer eram ligadas ao samba. Isso revela o forte preconceito de nossa sociedade na década de 1940, que em grande medida perdura até hoje. Ao longo dos anos isso foi sendo em parte superado. Na década de 1960 Dona Ivone começa a penetrar no universo masculino dos compositores, assinando sambas que já compunha sem que levassem seu nome. Na década de 1970 sai do anonimato e se torna uma referência musical no país. Todas essas figuras femininas fortes são exemplos de mulheres que arregaçam as mangas e se tornam “fazedoras”, cada uma em sua área, sem se preocupar com o preconceito. O Império tem no momento a segunda presidente mulher, o que não é comum no universo das escolas de samba. Parece que por detrás de todas elas está aquela maravilhosa Dona Eulália, exemplo de força, dedicação e paixão por sua escola.

PAS: É impressionante que uma escola com a história e a importância do Império Serrano venha tendo uma trajetória tão constantemente descendente como se verifica no livro, principalmente após o histórico Carnaval do Bumbum Paticumbum Prugurundum. Como pesquisadora e como imperial, que interpretação você dá a essa curva descendente? Por que isso aconteceu?

RV: Acho que a principal razão foi a mudança verificada no Carnaval nos últimos 30 anos. Passou-se a um outro patamar, em que alguns valores tradicionais, que o Império Serrano ainda mantém, deixaram de ser levados em consideração. Claro que internamente também houve problemas. Na década de 1990 a escola teve maus dirigentes, e suas gestões desastradas só contribuíram para que a imagem da escola ficasse arranhada. Mas decisivo mesmo foi o fato de não fazermos parte do “clubinho” das escolas que têm dono. Naquele contexto, uma escola que cultua a liberdade não tem lugar: seria um mau exemplo.

PAS: Como os fatores sociopolíticos do Brasil como um todo influenciaram essa trajetória? O Império nasceu ao final da ditadura Vargas, viveu momentos de apogeu no governo democrático de Getulio Vargas e nos que o sucederam, começou a perder posições (embora não inspiração) a partir da ditadura de 1964. Não se recuperou nos governos democráticos recentes. Há ligações entre o samba e a política que possam ajudar a explicar as oscilações?

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RV: Não são hoje segredo para ninguém as ligações entre a ditadura militar e algumas importantes lideranças de escolas e da própria Liga Independente das Escolas de Samba. Há um excelente livro sobre isso, Os Porões da Contravenção – Jogo do Bicho e Ditadura Militar, de Chico Otavio e Aloy Jupiara, que, ao tratar das relações dos capos da contravenção, deixa claro que também as escolas de samba de que eram patronos estavam envolvidas nessas “tenebrosas transações”. O Império Serrano se manteve à parte disso e pagou um preço. Como paga um preço por não aceitar regras e modismos que se afastam do que são preceitos básicos, inegociáveis.

PAS: Qual sua proximidade atual com a escola? Supondo que esteja acompanhando de perto, o que significa um Carnaval baseado na obra do Manuel de Barros?

RV: Atualmente pertenço à Galeria da Velha Guarda, o segmento apropriado para pessoas da minha idade. Faço parte da escola há 45 anos. De 1972 a 2017 só deixei de desfilar um ano, 1974, porque minha filha nasceu na quinta-feira antes do Carnaval. Participo ativamente da vida da escola o ano inteiro, não me limito ao Carnaval. Acompanho e tenho interesse em tudo que diz respeito ao Império Serrano. Fiz parte algumas vezes da diretoria. O período mais longo foi entre 2005 e 2010, quando fui vice-presidente, com atuação muito intensa. Hoje não tenho qualquer intenção de voltar a ter tais responsabilidades. Acho que tenho formas mais eficientes de colaborar. Além disso, integro a Velha Guarda Show, um grupo maravilhoso de 11 pessoas que se apresentam em várias ocasiões para cantar sambas do Império Serrano de todos os tempos e não apenas sambas-enredo. Acabamos de gravar um CD em homenagem aos 70 anos da escola, um trabalho muito lindo. Isso é importante e me proporciona um prazer imenso. A escolha do enredo, sobre a obra de Manoel de Barros, foi muito feliz e tinha tudo para ajudar a escola a conquistar a vitória. A poesia tem tudo a ver com nossa gente. O componente imperiano é sensível e criativo. Além disso, o excelente samba ajudou essa identificação.

PAS: Com tantas glórias acumuladas pelo Império e tantas personalidades essenciais do samba saídas ou desenvolvidas na Serrinha, você conseguiria caracterizar qual foi o momento mais importante da história dessa escola e desse comunidade? Quando o morro esteve mais perto do céu?

RV: O mais belo momento da história do Império Serrano é, sem dúvida, sua fundação e as vitórias que se seguiram. A escola surgiu, de forma heróica, contra o autoritarismo, logo após o Carnaval de 1947 e desfilou pela primeira vez em 1948, enfrentado adversárias poderosas, que existiam havia quase 20 anos. Foi campeã e repetiu a vitória nos três anos seguintes. Imagine uma escola recém-fundada e tetracampeã! Uma coisa linda demais… São dessa época inúmeros sambas-exaltação que falam do orgulho justificado dessa gente simples, cuja união deu frutos tão significativos. Nenhum outro momento de nossa rica história superou este.

PAS: Como está se sentindo com a primeira vitória do Império em tantos anos? O que explica esse resultado e a volta da escola ao Grupo Especial agora?

RV: Como não poderia deixar de ser, vibrei com a vitória. Num primeiro momento, fiquei catatônica, sem acreditar que era verdade. Foram muitos anos de expectativa e desilusão. Não cabe a mim explicar o resultado. O Império Serrano fez um desfile  magnífico, mas isso já acontecera em anos anteriores sem que a vitória viesse. Nossa principal adversária este ano, a Unidos de Padre Miguel, que também se apresentou bem, teve o infortúnio da contusão da porta-bandeira bem na hora da exibição aos julgadores e num módulo em que havia dois julgadores do quesito. Isso tirou a escola da disputa e tornou nossa vitória incontestável. Mas, ainda que nada disso tivesse ocorrido, o Império Serrano foi perfeito. Mereceu vencer.

 

Aqui, texto sobre a história do Império Serrano e a nova edição do livro Serra, Serrinha, Serrano – O Império do Samba, de Rachel Valença e Suetônio Valença.

Aqui, entrevista histórica com um dos fundadores do Império Serrano, o mestre de bateria Mestre Fuleiro, feita em 1993 por Alessandra MarquesCláudia Regina Alves da RochaDaniela Sampaio e Janine M. Belo.

Abaixo, o guia para uma playlist de músicas da Serrinha e do Império Serrano:

1. Elza Soares, “Heróis da Liberdade” (1969), de Silas de Oliveira, Mano Décio da ViolaManoel Ferreira) – versão da carioca da favela da Moça Bonita (atual Vila Vintém), em Padre Miguel, para o samba-enredo que ficou em quarto lugar em 1969, mas se tornou para sempre campeão inequívoco da história do gênero.

2. Clementina de Jesus, “Dois Jongos: Picapau/ Carreiro Bebe?” (1976), de domínio público – fluminense interiorana de Valença, Clementina fez do jongo, reminiscência dos cantos de escravizados de todo lugar, uma de suas vias principais de expressão. Na capital, a quilombola Serrinha se tornou frente de resistência do gênero e da memória de seus significados.

3. Beth Carvalho, “Seleção de Jongos: Guiomar/ Caxambu de Sá Maria/ Sabão (Lava Roupa com Meu Nome)/ Vapor na Paraíba/ Boi Preto/ Mataro o Zé Maria/ Pisei na Pedra/ Papai na Ladeira” (1983), de Darcy Monteiro e Tião Zarope/ (“Guiomar”), Darcy Monteiro (“Caxambu de Sá Maria”, “Boi Preto” e “Pisei na Pedra”), Candeia e Alvarenga (“Sabão (Lava Roupa com Meu Nome)”, Mestre Fuleiro (“Vapor na Paraíba”) Vó Maria Joana (“Pisei na Pedra”) e Eva Emely Monteiro (“Papai na Ladeira”) – homenagem aos jongos da Serrinha por Beth, carioca da Gamboa, na zona portuária carioca.

4. Dona Ivone Lara, “Sambas de Terreiro (Prazer da Serrinha): Serra dos Meus Sonhos Dourados/ Orgia/ Alegria Minha Gente/ Eu Já Jurei/ Me Abandonaste/ Meu Destino É Sofrer/ Chorar Não Resolve/ Serra dos Meus Sonhos Dourados” (1982), de Carlinhos Bem-Te-Vi (“Serra dos Meus Sonhos Dourados”), Manula (“Orgia” e “Chorar Não Resolve”), Paco (“Alegria Minha Gente”), Antenor Bexiga (“Eu Já Jurei”), Mestre Fuleiro e Dona Ivone Lara (“Me Abandonaste”), Dona Ivone Lara (Meu Destino é Sofrer”) – sambas da Serrinha, na voz da principal compositora e intérprete feminina da comunidade.

5. Aniceto do Império, “Mulher na Presidência” (1984), de Aniceto Menezes – no ano da campanha pelas Diretas Já, o imperiano Aniceto sonhava com uma presidenta da República: “Se acaso acontecer uma mulher na presidência/ é sapiência, é sapiência”.

6. Mano Décio da Viola, “Exaltação a Tiradentes” (1974), de Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau Silva – versão de autor para o samba-enredo vencedor de 1949, do álbum Capítulo Maior da História do Samba, que reúne sambas de avenida e de terreiro.

7. Elis Regina, “Exaltação a Tiradentes” (1971) – a cantora gaúcha faz leitura emepebista, tristonha (e sob cuícas), da exaltação a Tiradentes, num contexto do início da década de 1970, quando a gravadora Philips colocava os principais nomes de seu elenco para reinterpretar sambas-enredos históricos em coletâneas pré-carnavalescas.

8. Mano Décio da Viola, “Mano Décio Ponteia a Viola” (1974), de Mano Décio da Viola e Waldemiro do Candomblé – Mano Décio chama mana Clementina de Jesus e uma galeria de serranos para pontear um partido alto de terreiro na viola e no pandeiro.

9. Bezerra da Silva, “A Carta” (1998), de Silas de Oliveira e Marcelino Ramos – Depois de elogiar Getulio Vargas no samba imperiano de 1951, Silas de Oliveira voltou à carga e musicou a carta de suicídio do líder gaúcho/brasileiro no aniversário de dois anos de sua morte. Moreira da Silva gravou a versão original, que o pernambucano Bezerra da Silva ousou resgatar em 1998, em plena era Fernando Henrique Cardoso, quando nem o mundo mineral falava de colocar o retrato do “velho” de novo no mesmo lugar, e ainda termina a faixa mandando um “salve a memória de um grande presidente”. Transformados em versos, os dizeres de Getulio em “era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna, mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de ninguém” ficaram parecidos com… um samba do Império Serrano.

10. Jorginho do Império, “Rio dos Vice-Reis” (1994), de Aidno SáDavid do Pandeiro e Mano Décio da Viola – o filho cantor de Mano Décio interpreta em 1994 o samba-enredo que deu o quinto vice-campeonato ao Império, em 1962.

11. Elza Soares, “Aquarela Brasileira” (1973), de Silas de Oliveira – às portas do golpe de 1º de abril de 1964, o samba-enredo de exaltação ao Brasil e às brasilidades chegou apenas à quarta colocação, mas se manteve vivo de 1973 em diante, a partir desta histórica leitura de Elza.

12. Martinho da Vila, “Aquarela Brasileira” (1975) – dois anos depois, o fluminense interiorano de Duas Barras também ofereceu sua versão, disseminada até hoje como um signo soberano sobre o amor ao Brasil.

13. Roberto Ribeiro, “Os Cinco Bailes da História do Rio” (1975), de Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara e Bacalhau – a versão do imperiano Roberto Ribeiro (fluminense de Campos de Goytacazes) para a primeira vez na história do Carnaval carioca em que uma mulher pisou na avenida como compositora de samba-enredo. Dona Ivone gravaria apenas em 1981 o samba que conquistou o vice-campeonato de 1965.

14. G.R.E.S. Império Serrano, “Alô, Alô, Taí Carmen Miranda” (1972), de ManecoWilson Diabo e Heitor Achiles – o samba vencedor de 1972, em versão de escola.

15. Roberto Ribeiro, “”Alô, Alô, Taí Carmen Miranda” (1994) – versão do imperiano Roberto (fluminense de Campos de Goytacazes) para o “cai, cai, cai, cai/ quem mandou escorregar?”.

16. Mano Décio da Viola, “Dona Santa, Rainha do Maracatu” (1974), de CarlinhosMalaquias e Wilson Diabo – apesar de escanteado na avenida de 1969 em diante, Mano Décio não deixou de interpretar o samba-enredo de 1974 no primeiro álbum solo que pôde gravar na vida.

17. Clara Nunes, “Alvorecer” (1974), de Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho – a mineira Clara foi a primeira artista de expressão nacional a gravar um samba da imperiana Ivone fora do âmbito do Carnaval, e o fez extravasando lirismo por todos os poros.

18. Marisa Monte, “Lenda das Sereias Rainhas do Mar” (1989), de Vicente MattosDinoel e Arlindo Veloso – em sua estréia fonográfica, em 1989, Marisa honrou a Serrinha ao retomar o samba-enredo de candomblé de 1976, que conquistou uma modesta sétima colocação.

19. G.R.E.S. Império Serrano, “Lenda das Sereias Rainhas do Mar” (1976) – a gravação original, com versos que Marisa Monte suprimiu em sua versão.

20. Alcione, “Tiê” (1976), de Dona Ivone Lara, Mestre FuleiroTio Hélio – depois de Clara, a maranhense Alcione iluminou o tema de passarinho “Tiê”, que o Grupo Favela havia gravado em 1974. Os caminhos de Ivone Lara na MPB começavam a se abrir.

21. Maria Bethânia e Gal Costa, “Sonho Meu” (1978), de Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho – seguindo a pista atirada por Clara Nunes e por Alcione, a baiana Bethânia re-apresentou Ivone Lara num álbum de 1978, cantando este samba com a conterrânea Gal, e só então a ex-enfermeira vice-campeã na avenida pôde consolidar uma carreira solo com discos gravados.

22. Clementina de Jesus Dona Ivone Lara, “Sonho Meu” (1979), de Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho – as duas damas tardias se encontram e dão significado quádruplo ao dueto apresentado ao Brasil por Bethânia e Gal.

23. Maria BethâniaCaetano Veloso Gilberto Gil, “Alguém Me Avisou” (1980), de Ivone Lara – Bethânia reforça a dose e apresenta outro futuro clássico serrano, agora com os conterrâneos Caetano e Gil.

24. Quinzinho, “Bumbum Paticumbum Prugurundum” (1982), de Beto sem Braço e Aluísio Machado – há 35 anos, o samba original que deu a última vitória do Império no grupo principal até aqui.

25. Aniceto do Império Clementina de Jesus, “Dona Maria Luíza” (1984), de Aniceto – encontro de titãs do jongo, poucos anos antes da morte dela (em 1987) e dele (em 1993).

26. Aniceto do Império Dona Ivone Lara, “Quem É Teu Pai?” (1984), de Aniceto – encontro de titãs da Serrinha em jongo, capoeira, candomblé e terreiro; em 2017 ela ainda representa aquela cultura, aos 95 anos de idade.

27. João Bosco, “Cabeça de Nego” (1986) – devoto do Império e da Serrinha, o compositor mineiro mergulha na raiz e reverencia o jongo e as figuras referenciais de Aniceto, Silas de Oliveira, João da Baiana, Candeia, Clementina, DongaPixinguinhaPaulinho da Viola

28. Jovelina Pérola Negra, “Camarão com Xuxu” (1986), de Nei Lopes – nascida em Botafogo, estabelecida na Baixada Fluminense e pastora do Império Serrano, Jovelina morreu cedo (em 1998), mas deixou obra maiúscula no campo do samba de pagode, como atesta este clássico do carioca do Irajá Nei Lopes.

29. Jovelina Pérola Negra, “Pagode no Serrado” (1986) – de Marquinho Pagodeiro e Zeca Sereno – numa divertida narrativa serrana, Jovelina vai à feira procurar Clementina, Dona Ivone (“ô, lará, cadê Clementina de Jesus/ ai, Jesus, cadê Dona Ivone?”), Aniceto, o portelense Monarco, a mangueirense Dona Neuma, o salgueirense Almir Guineto

30. Arlindo Cruz, “Meu Lugar” (2007), de Arlindo Cruz e Mauro Diniz – compositor de sambas-enredo do Império Serrano desde 1989, Arlindo celebra Madureira, Oswaldo Cruz, Cascadura, Vaz Lobo e Irajá no samba dolente que em 2012 a Rede Globo modificou para adaptar à geolocalização da novela Avenida Brasil. Arlindo não chega a mencionar o Morro da Serrinha, mas cita as duas escolas de tradição da região: Portela e Império.

31. Leci Brandão, “Madureira, Lugar da Raça” (1990), de Arlindo CruzFranco Sereno – bem antes, a mangueirense Leci celebrou mais explicitamente aquele celeiro do samba, em samba de Arlindo: “Em Madureira é o Império que a Serrinha tem/ é Madureira a jaqueira que a Portela tem/ (…) a negra raça guerreira encontrou seu lugar”.

32. Daúde, “Dora” (2003), de Aniceto Menezes – a baiana Daúde rende ode ao divertido trava-língua rimado em “ora” do mestre Aniceto do Império, registrado por ele no álbum coletivo dirigido por Adelzon Alves Quem Samba Fica… (1971).

33. Velha Guarda Show do Império Serrano, “Império Tocou Reunir/ Não Me Perguntes” (2006), de Silas de Oliveira e Dona Ivone Lara (“Império Tocou Reunir”) e Mestre Fuleiro e Dona Ivone Lara (“Não Me Perguntes”) – duas pedras de toque do Império na reunião discográfica da Velha Guarda da Escola.

34. Wilson das Neves, “Velha Guarda do Império” (2010), de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro – ex-ritmista imperiano e músico de Chico Buarque, seu Wilson reverencia “a escola imperial, paixão da minha vida”.

35. Jongo da Serrinha, “Axe de Ianga (Pai Maior)” (2015), de Dona Ivone Lara – a comunidade local se organiza e produz o disco homônimo lapidar de regresso às origens de tudo.

36. G.R.E.S. Império Serrano, “O Meu Quintal É Maior do Que o Mundo” (2017), de Lucas DonatoTico do GatoAndinho SamaraVictor RangelJefferson OliveiraRonaldo NunesAndré do Posto 7Vagner SilvaVinicius FerreiraRafael Gigante e Totonho – enfim, aos 70 anos de idade, a primeira vitória do Império no segundo grupo desde 2009.

37. João Bosco, “Heróis da Liberdade” (1995) – a eternidade de Silas e Décio, na leitura delicada de João.

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