Cena do filme "Veludo Azul", de David Lynch

O estilo dos filmes de Lynch é amplamente moldado pela sua relação singular com o tempo, e pelo fato de não ser fiel à precisão histórica no que se refere aos períodos estilísticos. Em seu mundo, a América é como um rio que fui sempre adiante carregando bagatelas de uma década para outra, onde se mesclam e confundem as linhas divisórias que inventamos para marcar o tempo. Veludo Azul transcorre em um período indeterminado em que o tempo ruiu em si mesmo. No Slow Club, onde Dorothy Vallens se apresenta, ela canta em um microfone antigo, da década de 1920, e sua casa no Deep River Apartments parece o set art déco dos anos 1930 em A Ceia dos Acusados. Mas há uma televisão dos anos 1950 com uma antena em V. Arlene’s, o restaurante de Lumberton onde Jeffrey e Sandy conspiram, também evoca a década de 1950, mas a orelha furada de Jeffrey e as roupas de Sandy são claramente dos anos 1980. Sandy – ostensivamente uma adolescente dos anos 1980 – tem um cartaz de Montgomery Clift na parede do quarto, e pelas ruas de Lumberton trafegam carros americanos clássicos. O estilo visual de Lynch é despreocupado em certos aspectos e, no entanto, cada fotograma está carregado de intenção e significado.

KRISTINE MCKENNA, em Espaço para Sonhar (Editora BestSeller, 2019)

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome