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Interesse de Jair Renan, filho do presidente, em negócios com games abriu-lhe as portas dos ministérios

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) em conferência do Partido dos Trabalhadores (PT) na noite desta segunda-feira, alertou para um corte de 78% na verba federal destinada à cultura em 2021 pelo governo Bolsonaro. De fato, a proposta do Orçamento 2021 enviada ao Congresso na noite desta segunda-feira, 31, prevê redução de recursos da ordem de R$ 9 bilhões (de R$ 11,6 bi em 2020 para 2,5 bi em 2021, mais de 80%) no orçamento do Ministério do Turismo, ao qual a Secretaria Especial da Cultura é vinculada – o Ministério da Cultura foi extinto no primeiro ato do governo Bolsonaro, em 2019. O Esporte também está abrigado sob o guarda-chuva do Turismo, então terá corte de verbas equivalente. Se essa orientação se confirmar, será o colapso total dos museus, fundações, política audiovisual, patrimônio histórico, entre outros setores.

Ao mesmo tempo, o próprio Bolsonaro explodiu os gastos da presidência da República: dos  R$ 2 bilhões empenhados em 2019, saltou para R$ 14,6 bilhões este ano e já reservou R$ 10,4 bilhões no orçamento de 2021.

Apesar da determinação em aniquilar o setor cultural, o clã Bolsonaro ainda tem seus planos de recolher os trocados que eventualmente sobrem da área, hoje comandada pelo ator Mário Frias. Um dos filhos do presidente, Jair Renan Bolsonaro, de 22 anos, invadiu a esquálida agenda oficial de Frias nesta segunda, 31, para reinvindicar verbas para seu próprio projeto de enriquecimento pessoal na área de e-games – o notável Renan alugou um camarote do estádio Mané Garrincha para gravar vídeos de jogos, informou o jornal O Globo. Apesar de posar de empreendedor na área, o filho homem mais jovem do presidente já foi expulso da rede social de streaming de videogames, o Twitch, por debochar da pandemia do coronavírus e atacar minorias.

Sem representar grupos de desenvolvedores de jogos, sindicatos patronais, projetos de amplitude social, sem ter nenhum tipo de credencial senão a de ser filho do presidente, o rapaz tornou-se objeto de uma reunião de política de Estado e o próprio serviçal de plantão no setor postou foto acompanhado do “patrãozinho”. Nem nas ditaduras do Oriente Médio tal nível de sabujismo (e confusão entre público e privado) tem sido registrado ultimamente.

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