Dante Silva e Magno Abreu em cena de "A Rainha da Zona" durante a sessão de pré-estreia, ontem (21) - foto: Marcus Saldanha (@marcushistorico)
Dante Silva e Magno Abreu em cena de "A Rainha da Zona" durante a sessão de pré-estreia, ontem (21) - foto: Marcus Saldanha (@marcushistorico)

A Companhia Oficina de Teatro (Coteatro) estreia hoje curta temporada do espetáculo A Rainha da Zona, de Aldo Leite (1941-2016), com direção de Tácito Borralho. As apresentações acontecem no Teatro João do Vale (Rua da Estrela, Praia Grande) até domingo; de hoje a sábado sempre às 20h30; domingo haverá duas apresentações: uma sessão às 17h, voltada ao público da melhor idade (inclusive com preços promocionais), e outra às 20h. Os ingressos custam entre R$ 30,00 e R$ 90,00 e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro.

A comédia aborda a decadência da Zona do Baixo Meretrício ludovicense e debate, sem nunca perder o bom humor, temas como patrimônio histórico, homossexualidade, prostituição (inclusive as condições de vida e trabalho das profissionais do sexo, sobretudo na velhice – outro tema também abordado), luta de classes e desigualdade social, virgindade (incluindo um leilão), entre tabus e preconceitos. Há nudez masculina e feminina e uns poderão acusar o espetáculo de politicamente incorreto. Não é uma peça para preconceituosos e caretas. A classificação indicativa é 16 anos.

São quatro atores em cena, com atuações convincentes: Magno Abreu interpreta a proprietária do estabelecimento em que se passa a maior parte da trama; James Louzeiro vive seu fiel e dedicado escudeiro, um homossexual bastante dedicado; Dante Silva é o neófito, “cabaço”, no linguajar maranhense marcante do roteiro, com expressões típicas (uns poderão dizer tratar-se de linguagem chula; é, antes, autêntica); e Crhys Oliveira, a virgem – cuja aparição, rápida e marcante, acontece num momento de reviravolta da trama.

Na trilha sonora, temas como “Ninguém me ama” (Antonio Maria), “Vingança” (Lupicínio Rodrigues) e “Lama” (Aylce Chaves e Paulo Marques), entre outros clássicos do repertório imediatamente ligado às casas de diversão, ajudam a ilustrar os diálogos dos personagens, perpassando suas vidas, afetos, geografias e problemas.

A Rainha da Zona é mais uma iniciativa ousada de Tácito Borralho – que assina também o cenário –, cuja vida dedicada ao teatro e marcada pela busca da valorização das artes cênicas produzidas no Maranhão, deram-lhe os Troféus Mambembe (1978) e Arthur Azevedo (1990) , além da medalha do mérito Timbira (1987), entre outras premiações. A peça tem iluminação de Abel Lopes, som de Daniel Bertholdo, figuras de Miguel Veiga e maquiagem de Geraldo Gago.

O espetáculo não soa saudosista ou apologético e usa de fina ironia para retratar a memória de espaços de diversão – inclusive com seus problemas (violências e preconceitos não deveriam, mas podem acontecer tanto num cabaré quanto num estádio de futebol). E funciona bem tanto a quem quer refletir sobre os temas abordados quanto a quem quer apenas garantir boas risadas.

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