Reunião da antiga diretoria colegiada da Ancine

O diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Alex Braga, exonerou nesta manhã de quinta-feira, 29, Eduardo Andrade Cavalcanti de Albuquerque do cargo de Superintendente de Prestação de Contas da agência, cargo para o qual ele foi nomeado pelo próprio Alex Braga em fevereiro de 2020. Eduardo Albuquerque é capitão de Mar e Guerra da Marinha, em reserva remunerada, e entre sua experiência anterior à chegada à Ancine consta a de diretor do Depósito de Combustíveis da Marinha no Rio de Janeiro. Em agosto de 2018, tinha sido promovido de capitão de Fragata para capitão de Mar e Guerra. Em fevereiro de 2019, foi transferido para a reserva remunerada do órgão.

A demissão de Albuquerque ocorre, segundo apurou o FAROFAFÁ, após intervenção direta da Ministra da Cultura, Margareth Menezes, que exigiu sua exoneração. A Ancine é subordinada ao MinC, embora tenha funcionamento autônomo. Mesmo após reiteradas denúncias que revelaram a presença de militares próximos ao núcleo golpista do bolsonarismo, além de policiais rodoviários federais, no aparato do audiovisual do governo federal, a direção da Ancine se recusava a tomar providências. Ainda resta na Ancine um personagem ligado ao alto comando dos militares bolsonaristas, o Ouvidor-Chefe da instituição, João Paulo Machado Gonçalves, ligado ao antigo Gabinete de Segurança Institucional do general Walter Braga Netto. Mas o mandato de Gonçalves foi referendado pelo Congresso e ele não pode ser exonerado.

A atuação do capitão de Mar e Guerra Eduardo Albuquerque na Ancine coadunava-se com as orientações do grupo que o fez chegar à agência, chefiado pelo então secretário Mario Frias e pelo capitão PM baiano André Porciuncula. Contrariando decisões do Tribunal de Contas da União, Albuquerque atuou no setor de prestações de contas com um ímpeto punitivo e contraproducente.

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