A 20 quilômetros do centro histórico de Paraty, que abriga as tertúlias literárias internacionais da consagrada FLIP, uma outra feira se aninha com diferentes pressupostos e bases e foco na produção de autores negros e autoras negras. Trata-se da Festa Literária de Paraty Preta, no Quilombo do Campinho, que será realizada nos próximos dias 21, 22 e 23 deste mês de julho. O Quilombo Campinho da Independência fica entre os povoados de Pedra Azul e Patrimônio, e tem uma origem muito particular – quase todos os moradores (mais de 100 famílias) são descendentes de três mulheres negras escravizadas no século 19: Antonica, Marcelina e Luiza, que habitaram as terras da antiga Fazenda Independência. Ali fundaram sua comunidade, a primeira a ser titulada no Estado do Rio de Janeiro.

A mesa de abertura da Flip Preta, cujo tema é Educação Antirracista, se dará justamente com um debate, às 19 horas do dia 21, denominado As 3 Mulheres, tratando dessa ascendência e da luta afirmativa das pioneiras. Às 21 horas, palestra da líder comunitária, educadora Laura Mariá, denominada A Força da Natureza, com o DJ Calixto se apresentando durante todo o evento. Oficinas, apresentações de jongo, samba de roda e música, autores como Taís Feijão, Beta Ferreira, Suane Brazão, Vera Passos, entre outras.

Essa é a segunda edição da Flip Preta. A primeira ocorreu em 2019, mas, por conta da pandemia de Covid-19, não teve prosseguimento. Sua retomada vem no contexto da redemocratização, após as eleições de 2022, repondo na ordem do dia a questão da educação antirracista, que se baseia em lei (Lei 10.639/03) e prevê o ensino da história e da cultura africanas e afro-brasileiras, além de reformas de base nos currículos escolares. Outros temas a serem tratados são a saúde da população negra, a diáspora africana, rodas com Mestras e Mestres das Culturas Populares do Brasil.

FLIPPreta 2023

Quilombo do Campinho da Independência – BR Rio-Santos, Km 588, Paraty, RJ

Dias 21, 22 e 23 de Julho, sexta-feira, sábado e domingo

Gratuito

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