Cena da série Heartstopper com os protagonistas Nick e Charlie na neve
Cena da série Heartstopper com os protagonistas Nick e Charlie na neve - Foto: Divulgação

Heartstopper é a Juventude Transviada do século 21. É Hair, sem cabelos compridos, porém longamente transgressivo. É um Trainspotting, livre de drogas, mas repleto de intensas relações interpessoais. Coube a essa nova série ficcional da Netflix, que estreou dia 22 de abril, apresentar a narrativa-símbolo para o amor gay como jamais feito até então. Há diversas obras audiovisuais com a temática homossexual. Heartstopper é mais uma delas, com a diferença de que ela tem a força de mudar e impactar gerações.

A história é singela, e estupidamente simples. Um garoto conhece outro garoto, os dois se tornam amigos e acabam se apaixonando. Charlie (Joe Locke) é assumidamente gay, enquanto Nick (Kit Connor) é primeiro apresentado como o ídolo do time de rúgbi, portanto léguas de distância separam os dois mundos. Ambos estudam numa escola exclusiva de homens e, em pleno século 21, com direito a muito tempo nas redes sociais, ainda convivem com o preconceito, a incompreensão e a intolerância sexual e de gênero. Mas os dois garotos não só descobrem o amor que têm um pelo outro, como estão dispostos a ir além da autodescoberta e da aceitação. Ao levantar essas bandeiras, os personagens de Heartstopper mostram que a sociedade, enfim, está disposta e preparada a tratar o tema de forma aberta.

A avaliação de Heartstopper é, atualmente, 9 no IMDb, um fenômeno.  Quando James Dean deu vida a Jim Stark fez bem mais do que traduzir um comportamento “desviado de seu rumo” de uma juventude rebelde da época. Juventude Transviada (1955) se tornou um marco por fazer emergir frustrações e descaminhos de uma geração que usava da rebeldia para reivindicar  uma sociedade menos conservadora. No musical Hair (1979), os cabeludos representavam a transgressão o diálogo, a transformação, o questionamento e a indignação com o estado de coisas da sociedade dos anos 1970 e 1980. O filme da contracultura até hoje é lembrado por seu caráter de solar. E Trainspotting (1996), embora foque na história de jovens escoceses hedonistas, que viviam sem muitas expectativas e viciados em drogas pesadas, traduziu um sentimento comum a uma época, os anos 1990 e 2000.

A primeira temporada de Heartstopper trata dos desafios da vida escolar e amorosa de forma naturalizada, independente de serem gays. Afinal, qual é o amor que não passa por fases como “encontro”, “crush”, “beijo”, “segredo”, “amizade”, “garotas”, “bullying” e “namoro” (os nomes dos oito primeiros episódios, cada um com cerca de 30 minutos cada). Há personagens paralelos e amigos de Charlie com histórias igualmente interessantes, como a amiga trans Elle (Yasmin Finney) e o sempre desconfiado amigo Tao (William Gao). Ela abandona a escola para “meninos” e vai para outra escola, em Londres, para “meninas”. É muita coragem e ousadia para série que mira o público infanto-juvenil.

Heartstopper. Criado por Alice Oseman. Primeira temporada em oito episódios. Na Netflix.

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