O duo Mana (com o percussionista Denilson de Paula) após show de lançamento do disco em São José dos Campos/SP, em março passado. Foto: Acervo Parque Vicentina Aranha
O duo Mana (com o percussionista Denilson de Paula) após show de lançamento do disco em São José dos Campos/SP, em março passado. Foto: Acervo Parque Vicentina Aranha

Farofafá conversou com exclusividade com Nathália Ferro, a metade maranhense do duo Mana, completado pela paulista Maria Ó. Mana acaba de estrear em disco, com “Nada permanece”

Mana. Capa. Reprodução
Mana. Capa. Reprodução

Espaço, tempo (e suas relatividades), amor e corpo são elementos centrais em “Nada permanece”, disco do duo Mana, formado pelas cantoras e compositoras Maria Ó e Nathalia Ferro.

O álbum está disponível para audição gratuita no spotify e em um site do projeto (desenvolvido por Maria Ó), onde é possível comprar o álbum digital ou faixas separadas, além de conhecer letras, cifras, vídeos, fotos, biografias das artistas e a história por detrás das faixas.

O disco valoriza os timbres das cantoras, com um sutil ornamento de violão (Maria Ó, que também assina os arranjos, com direção rítmica de Nathália Ferro) e percussão (Denilson de Paula) emoldurando suas vozes. Uma delicadeza.

Lançado pela ybmusic, “Nada permanece” é um álbum libertário, marcado por um encontro que vai além da música. Ousado, arrisco dizer, num tempo em que, sob a égide do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, o Brasil tornou-se palco do ódio e da intolerância: desde a capa, em que aparecem abraçadas e nuas, até o título de uma das faixas, “Eu amo uma mulher”.

“Eu e Maria nos casamos por amor, em nosso segundo encontro. O primeiro aconteceu no lançamento do primeiro álbum dela, o “Dança três”, nós não nós conhecíamos. E logo em seguida veio a união musical. Todas as letras e músicas do Mana são nossas, em parceria ou individualmente”, revela Nathália Ferro com exclusividade ao Farofafá.

Digo notar certo amadurecimento de seu trabalho, em relação, por exemplo, à carreira solo. “O amadurecimento acontece quando temos oportunidade de relacionamento profundo, eu acredito. Sou muito feliz pelo resultado desse trabalho, por que ele foi regado a tempo e honestidade, e conta histórias reais, de uma vida que felizmente ainda existe”, comenta.

Ela continua: “A gente tocou muito esse disco. Em São Paulo, São José dos Campos, São Luís, São Francisco Xavier, Chapecó… O repertório tava tão ensaiado que gravamos tudo em dois dias, somando mais um para colocar as percussões do Denilson de Paula. Até antes de conhecer o Denilson a história era gravar mesmo o voz e violão com o qual a gente vinha ganhando a vida”, comenta sobre o processo de gravação.

Ferro resume bem o conceito do álbum: “É um disco que fala de amor. Da naturalidade, da crueza, da simplicidade, da honestidade e da vulnerabilidade contidos no ato de amar e de fazer as coisas por amor. Há também muitos símbolos contidos na nossa proposta, por sermos mulheres parceiras que compuseram, produziram, custearam e apostaram tudo numa parceria, confiando nela. Por amor e confiança uma na outra. Na minha cabeça não haveria outra concepção pra essa capa que não fosse esse abraço nu e sincero, por que foi isso que a gente se deu nesse álbum e na vida. E para além, o fotógrafo dessas imagens, que é o Stefan Lalau Patay, é um grande amigo. Ele possui uma história longa, é um rapaz que aos 76 anos continua em pleno vigor em sua arte. A delicadeza dele com o processo dessas imagens nos traz significados até agora, ainda mais nesse quadro em que vivemos agora, de pandemia”.

“Nada permanece” ganhará uma série de remixes. O primeiro é o de “Luas e ondas”, assinado por André Abujamra. Ferro se derrete, com razão: “ficamos muito felizes. Ele ouviu o disco e pediu a faixa para remixar”. O remix será disponibilizado nas plataformas digitais nesta sexta (24).

No e-mail com as fotos, recebido por este repórter, um recado final, preciso e precioso, também enviado por Nathália Ferro: “Amar é ato político e a melhor estratégia de luta. Precisamos aprender a amar cada vez melhor, a nós mesmos e aos outros, pois deste exercício de convivência e empatia nascem as bases para uma sociedade de paz”.

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Ouça “Nada permanece”:

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