David Harvey, em Os sentidos do Mundo, mostra como o desenvolvimento geográfico desigual é um elemento ativo para fazer girar a máquina capitalista
David Harvey, um dos intelectuais marxistas mais citados no mundo, mostra em Os sentidos do Mundo (editora Boitempo) como a geografia mundial está constantemente sendo feita, refeita ou destruída para absorver os excedentes de capital que se acumulam rapidamente. Cita, como exemplo e argumento inicial, a construção de uma cidade chinesa para 130 milhões de pessoas financiada com dívida pelo governo da China. Poucos países podem se dar a esse luxo nos dias de hoje. Mas, acompanhando a história desde os anos 1970, Harvey consegue mostrar que essa é a tônica do capitalismo mundial.
Essa obra reúne ensaios escolhidos pelo próprio autor, abarcando temas que vão do imperialismo às crises financeiras, da urbanização à ecologia, do espaço e lugar ao meio ambiente. Em sua concepção, o desenvolvimento geográfico desigual é um elemento ativo para fazer girar a máquina capitalista, que necessita de excedente barato de mão-de-obra, terrenos disponíveis para expansão da produção e apaziguar crises sociais e políticas. Leitura complexa, mas necessária.
Os sentidos do mundo. De David Harvey, 416 págs, Boitempo, 83 reais.
Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!
Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.
Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:
1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.
2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.
Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!