“De muitas maneiras, o trabalho de um crítico é fácil. Arriscamos pouco e desfrutamos de uma posição sobre aqueles que oferecem seu trabalho e a si mesmos ao nosso julgamento. Nós prosperamos na crítica negativa, que é divertida de se escrever e ler. Mas a dura realidade que nós críticos temos de encarar é que, no todo, uma porcaria medíocre é provavelmente mais significativa do que nossa crítica que assim a designa.
Mas há vezes em que um crítico realmente arrisca algo, e isto é na descoberta e na defesa do novo.
O mundo geralmente é indelicado com novos talentos, novas criações. O novo precisa de amigos.
Ontem à noite, que experimentei uma refeição notável de uma fonte excepcionalmente inesperada, se dissesse que tanto a refeição quanto quem a preparou desafiaram meus preceitos sobre a boa culinária eu estaria me contendo. Eles me abalaram profundamente.
No passado, nunca escondi meu desdém pelo famoso lema do chef Gusteau, “Qualquer Um Pode Cozinhar”. Mas vejo que só agora compreendo realmente o que ele quis dizer: nem todos podem se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar.
É difícil imaginar origens mais humildes do que as do gênio que hoje cozinha no Gusteau`s, que é, na opinião deste crítico, nada menos que o maior chef da França.
Eu logo voltarei ao Gusteau`s, ávido por mais”.

DO ARTIGO DE ANTON EGO, O CRÍTICO DE GASTRONOMIA MAIS TEMIDO DO VELHO MUNDO, NO DIA SEGUINTE AO MOMENTO EM QUE EXPERIMENTOU A RATATOUILLE DO RATO REMY, O CAMUNDONGO QUE QUERIA SER UM CHEF DE CUISINE. TEXTO SIMPLESMENTE DEFINITIVO.

* extraído do desenho animado Ratatouille

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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