estátuas eqüestres fogem dos seus pedestais e invadem os canteiros eleitorais de última hora.
estátuas eqüestres marcam uma convenção no anhembi para discutir o desrespeito dos pombos de todo o planeta.
rocinantes bravios montados por duques de cavanhaque fazem camionetas tucson capotar no asfalto do futuro bulevar (elogiado pelo urbanista bem-remunerado).
o mundo em uma ultrarotação à direita:
1. o telespectador do futuro reclama em pesquisa da atitude “robótica” dos telejornalistas da vênus platinada, mas admite que não consegue ver outra coisa no noticiário.
2. o desembargador linha-dura toca guitarra em banda medíocre para relaxar e o rock’n’roll, que era fora-da-lei, agora usa estrela de xerife.
3. o ator que emprestou o corpo para o besteirol mais deslavado subitamente protesta contra o uso “indiscriminado” da nudez no cinema nacional.
4. o mesmo eleitor que continua votando no vereador da máfia dos fiscais e naquele outro que dizia que foi pouco o saldo dos 111 mortos do carandiru (e foi morto por tiro certeiro de uma amante misteriosa) está agora indignado com as injustiças ultrajantes da campanha eleitoral.
que diabos a voz de john lennon está dizendo na balada i’m outta time, do oasis, dois dias antes de ser assassinado por mark chapman?
“as churchill said its an englishmans right to live where the hell he likes. what’s england going to do, vanish? It’s not going to be there when I get back?”
como churchill não disse, é um direito do paulistano viver no inferno que escolheu. mas o que vai sobrar da alma de são paulo? ainda estará aqui quando eu voltar?

(idéia surrupiada a um livro do xico sá)

AnteriorFLAMENGÃO
PróximoSAMBA ESQUEMA NOVO
Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome