alguns shows pairam acima dos demais.
foi o caso do show da banda DAAU, da antuérpia, que tocou ontem para uma platéia lotadaça no sesc paulista.
eu nunca tinha ido lá, o lugar é muito bacana e o show era muito bacana – um pão de tapioca e um suco de abacaxi com gengibre iniciaram o transe.
os flamengos da bélgica, que são flamengos mas não torcem para times da gávea, abriram com uma cover do grupo britânico coil, uma música composta para sintetizadores que eles adaptaram para seu conceito – acordeão, violoncelo, clarineta e contrabaixo acústico (a bateria só entrou depois da quarta música).
tocaram músicas inacreditavelmente bonitas, quase todas conduzidas pelo violoncelo de simon lenski, um piadista minimalista.
“essa música foi de alguma maneira inspirada pela… comida árabe”, ele explicava.
reinventaram a canção infantil lounja, la gazelle.
domestic wildlife é uma doideira, e o baterista, o figuraça bootsie, entrou em êxtase. roel van camp é uma espécie de richard galliano punk.
eu conhecia algumas das músicas no myspace, mas não tinha noção de que eram tão bonitas ao vivo. os flamengos não usam eletrônica, o som é acústico, mas conseguem efeitos malucos, que lembram bandas como arcade fire e gotan project.
caramba! e olha que era de graça!

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter desde 1986 e autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019), Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021), O Último Pau de Arara (Grafatório, 2021) e A Culpa é do Lou Reed (Reformatório, 2024)

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