Uma pesquisa qualitativa encomendada pelo Grupo Estado há 11 meses, realizada com 504 pessoas (ouvintes da Rádio Eldorado e leitores do Estadão) pela agência Box1824, concluiu que, em termos de negócio, a Rádio Eldorado tem um LTV (Lifetime Value, ou Valor do Tempo de Vida) muito alto. Primeiro, porque seus ouvintes são extremamente fiéis à rádio. “E a conexão com a marca gera um potencial de cross sell e up sell trabalhando novos formatos e conteúdos”.

Estudos preliminares daquele grupo de mídia já tinham indicado que a rádio compõe um tripé que é fundamental para o grupo: o digital, o impresso e a rádio. “Esse tripé é mais forte para o discurso comercial”, informou o texto. “Cerca de 80%, 85% das receitas são projetos multiplataforma, ou seja, não são vendas exclusivas da rádio. A rádio faz mais sentido dentro do universo do grupo e não como ativo isolado e provavelmente ela não sobreviveria sem o Estadão.”

Ao anunciar o fechamento da emissora, o grupo também fecha diversas portas para sua própria sobrevivência comercial e de imagem – o levantamento conclui também que a marca Eldorado pode contribuir para tornar a marca Estadão mais contemporânea. “Na etapa qualitativa, a percepção é de que a marca mais beneficiada nesse cenário é o Estadão, que pegaria “emprestadas” da Eldorado as qualidades, como leveza, maior pluralidade e maior contemporaneidade para um jornal de 150 anos”, concluem os pesquisadores.

A pesquisa diagnosticou que 44% dos ouvintes da emissora se sentem parte de uma comunidade que compartilha o mesmo gosto, e 91% concordam que a Eldorado apresenta músicas que dificilmente encontrariam por conta própria, com um caráter de curadoria extraordinário (24% dos pesquisados salienta essa como sua maior qualidade). Outra potencialidade diagnosticada: 29% das pessoas provavelmente pagariam por ingressos para eventos presenciais com curadoria da Eldorado (shows, debates, encontros); 32% talvez pagassem por ingressos para eventos presenciais com curadoria da Eldorado; e 15% pagaria com certeza por isso.

91% dos entrevistados consomem conteúdo em áudio diariamente (76%, por mais de 2h por dia). O espectro social predominante são as classes AB (61%), com 26% da classe C. Quase metade tem pós-graduação completa (especialização, MBA, Mestrado ou Doutorado), 48% concluíram algum tipo de pós-graduação e 43% possuem ensino superior e graduação. 97% dos entrevistados ouvem a Rádio Eldorado (50% também ouvem Alpha FM; 50% também ouvem Rádio Cultura; 44% também ouvem CBN; 43% também ouvem Antena 1).

“O que já foi discutido muitas vezes foi o fim da rádio. Porque ela até dois anos atrás, 3 anos atrás, era deficitária. O futuro da Rádio nunca foi discutido”, afirma texto de um estudo prévio. Ao contrário da nota de anúncio de fechamento da emissora, não se detectou uma oposição entre as novas formas de ouvir áudio e a tradição da Eldorado, porque o estudo apontou que uma parte considerável dos entrevistados já prefere escutar a rádio via app.

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