terça-feira, outubro 15, 2019

Alzira, navalha na carne

Primeiro, ela engavetou o sobrenome Espíndola e virou Alzira E. Atualmente, desdiz-se até mesmo como Alzira e prefere ser integrante qualquer da banda Corte, completada por três rapazes da big band afropaulistanabeat Bixiga 70 - Marcelo Dworecki, Daniel Gralha e Cuca Ferreira -, mais Fernando (ou Nandinho) Thomaz. A única mulher da banda é líder que não quer se dizer líder, nem sequer proclamar seu nome. Parceira essencial de um dos mais...

Índia, seus cabelos grisalhos

Tetê Espíndola sempre habitou um lugar à parte nas gavetas em que se costumam guardar os valores da música popular brasileira. Fala sobre esse não-estar de um modo sutil no álbum mais recente, batizado Outro Lugar. Outro lugar, para a cantora e compositora de 64 anos, é a cidade onde nasceu, Campo Grande, localidade interiorana do Mato Grosso que mais tarde, em 1979, seria promovida...

Índios na garganta

Em 30 de agosto de 2016, um dia antes da deposição definitiva de Dilma Rousseff no Senado, Tetê Espíndola falou sobre seu primeiro álbum independente, Pássaros na Garganta (1982), em entrevista a propósito de um show inspirado naquele trabalho fundador - mas que, por contingências da vida, permaneceu inédita por dois anos. Leia e/ou veja abaixo o passeio da cantora e compositora sul-matogrossense pela terra natal, pela música sertaneja...

Lucina, voz de árvore

Lucina Carvalho, ou simplesmente Lucina, já foi Lucelena, Lucinha, metade de Luli & Lucina. Não foi tantas por crise ou falta de identidade, mas antas, talvez, pela dificuldade de encontrar um lugar para chamar de seu ao sol da música popular brasileira, dessa MPB que foi e é tão profundamente masculina nos gabinetes quanto democraticamente pansexual nos bicos de palco. Ainda menina,...

Joyce, musa de si mesma

Joyce Moreno nasceu de "produção independente" em 1948, 40 anos antes de a conservadora sociedade brasileira considerar aceitável um dado como esse para uma mulher. Aos 20, no ano do AI-5, estreou em LP solo de compositora que hoje seria assimilado sem grandes traumas como "feminista" (palavra rara no Brasil de 1968). Ali, a jovem educada em colégios católicos...

Sobre ser livres na prisão-Brasil

No que se refere a política e política cultural, o comissariado da Flip oficial tem radicalizado desde o golpe de Estado de 2016 um modelo altamente controlado de não-debate, que bate sem parar na tecla estética (com/sem as bênçãos de maldição de Hilda Hilst) e simula transformar em estética até mesmo aquilo que é pura política. Não é à toa que as iniciativas...

O barco pirata aporta em Paraty

O editor Cauê Ameni foi um dos idealizadores da primeira edição da Flipei - Festa Literária Pirata das Editoras Independentes. Uma de dezenas de iniciativas paralelas à edição 2018 da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), a Flipei causou algum ruído na cidade colonial litorânea fluminense, por concentrar ao redor do barco ancorado à margem do rio Perequê-Açu um ideário e...

A voz do morto sussurra

Não sabemos bem qual é, mas deve haver um fio narrativo unindo as obras do cineasta carioca Eduardo Ades, que coloca em cartaz agora seu segundo documentário em longa-metragem, Torquato Neto - Todas as Horas do Fim, dirigido em dupla com o produtor musical também carioca Marcus Fernando. O primeiro filme foi Crônica da Demolição (2015), sobre a ascensão e queda do mitológico Palácio...

A nossa saga cabocla

Cena 1: A CRUELDADE As patas da besta frequentam Porto Alegre (RS) na semana histórica do dia 24 de janeiro de 2018. A crueldade é a prova dos nove na cidade de onde o borjense Getulio Vargas partiu em 1930 para fazer uma revolução mista autoritário-trabalhista e tomar o poder dos territórios tupis-guaranis ao norte. A operação de guerra peemedebista-tucana-direitoextremista está montada sobre...

O golpe dos burros

Burros ou inteligentes? Não está evidente na cabeça de ninguém, nem dos próprios golpistas, nem do sociólogo Jessé Souza, que ora define como inteligente, ora como burro o golpismo popular brasileiro que nos governa folgadamente neste início de 2018, sob nossa assustadora apatia. Jessé é um intruso nas listas dos autores mais vendidos no Brasil em 2017 no setor de não-ficção, oligopolizado...