terça-feira, setembro 17, 2019

O ódio guardado em Melodia

"Se a gente falasse menos/ talvez compreendesse mais/ teatro, boate, cinema/ qualquer prazer não satisfaz/ palavra figura de espanto quanto/ na Terra tento descansar." É fácil falar isto só depois da morte de Luiz Melodia, quando não há mais tempo, mas se a gente falasse menos e escutasse mais provavelmente teríamos compreendido um pouco mais sobre nós mesmos através das...

Belchior: ano passado eu não morro

Lançado em 2004, meu livro Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa) (Boitempo) anda tão desaparecido como andou Belchior nos últimos anos de uma GRANDE vida. Em homenagem à morte do GRANDE artista e pensador cearense em momento histórico tão eloquente, resgato aqui (*) (com alguns reparos e penduricalhos) o capítulo devotado ao GRANDE homem no livro protagonizado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa etc. Viva BELCHIOR.   Não quero lhe...

Mestre Fuleiro é chama

  Carioca do Andaraí, Antônio dos Santos (1912-1997) foi um dos fundadores do Império Serrano e se destacou como diretor de harmonia da escola de samba do Morro da Serrinha. Sob a alcunha de Mestre Fuleiro, encheu a avenida de música e vida e assinou com Dona Ivone Lara e Tio Hélio o canto de passarinho (portanto, de liberdade versus escravização) "Tiê". O texto "Uma escola de samba",...

Liberdade, um “mau” exemplo

"Uma escola que cultua a liberdade não tem lugar: seria um mau exemplo." Assim a pesquisadora Rachel Valença, co-autora do livro Serra, Serrinha, Serrano - O Império do Samba, sintetiza as tramas que afastaram o Império Serrano, nas últimas décadas, do clube seleto das escolas de samba com lugar garantido no topo do Carnaval globalizado do Rio de Janeiro. Na entrevista...

Uma escola de samba

No sábado de Carnaval de 2017 (*), uma escola de samba do segundo grupo carioca desfilou um enredo denominado Meu Quintal É Maior do Que o Mundo, em homenagem ao poeta pantaneiro Manoel de Barros. A escola está fora de moda (como talvez também esteja Manoel de Barros, nestes tempos de Roberto Freire não-ministro da não-Cultura), mas vive uma...

Tibério Gaspar (1943-2017)

"A gente corre na BR-3/ a gente morre na BR-3", cantou em tempo de soul music o rojão black power Toni Tornado, na rota para vencer a etapa nacional do Festival Internacional da Canção (FIC) de 1970 na Rede Globo. Em alta de popularidade, o ditador de plantão, Emílio Garrastazu Médici, foi apertar a mão do negão e lhe pedir que vencesse...

Rita Lee, senhora dona de si

Perto de completar 69 anos, Rita Lee pode ser considerada uma pioneira profissional. Desde se consolidar como jovem inventora tropicalista, rara mulher brasileira compositora a partir do rock nos anos 1960 e 1970 e reivindicadora de liberdades femininas por intermédio da composição pop, a artista paulistana vem transgredindo normas e tabus de maneira peculiar, frequentemente entre trancos e barrancos. Rita Lee -...

Lá vem a temporada das flores

Petrus Wilhelmus Josephus Schoenmaker chegou ao Brasil em 1959, vindo de VerversSolf, na Holanda, uma região conhecida por seus velejadores. Tinha 15 anos. Naquela época, Holambra (nas imediações de Campinas, a 125 km da capital paulista) ainda era apenas uma fazenda que um grupo de teimosos holandeses insistia em querer transformar, desde 1948, num centro produtivo nacional de uma flor conhecida...

Assim falou Zaratustra

Em 1973, o músico carioca Eumir Deodato foi Justin Bieber por 15 minutos. No dia 31 de março daquele ano, Eumir, hoje com 73 anos, chegou ao segundo lugar da parada pop norte-americana, a bordo da versão funk que inventou para "Also Sprach Zarathustra", de Richard Strauss, cuja versão sinfônica havia sido usada cinco anos antes como tema de força do filme 2001: Uma Odisseia no...

Elke Maravilha, filha da guerra

Entrevistei Elke Maravilha em dezembro de 2008. Ela gostou do resultado, me telefonou para comentar. Sei que fui carinhoso com ela durante a entrevista, e ao telefone ela tentou retribuir. Eu não soube lidar com a aprovação da entrevistada. Me retraí, como aprendi e me acostumei a fazer. Nunca mais voltei a entrevistá-la, nem mesmo a falar com ela, até 16 de...