Fábrica da Duchen - Peixe, projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer (1907-2012), primeiro prêmio na categoria construção industrial na I Bienal Internacional de Arte São Paulo. Guarulhos/SP, 1954 - foto: Hans Gunter Flieg/ Acervo IMS/ reprodução
Fábrica da Duchen - Peixe, projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer (1907-2012), primeiro prêmio na categoria construção industrial na I Bienal Internacional de Arte São Paulo. Guarulhos/SP, 1954 - foto: Hans Gunter Flieg/ Acervo IMS/ reprodução

BRASÍLIA/DF — Nunca esqueci o choro de Joyce com a notícia da morte de Renato Russo (1960-1996) naquela tarde quente, típica de São Luís do Maranhão, de 11 de outubro de 1996, na calçada da Unidade Integrada Cel. Lara Ribas, vulgo Sesi do Santa Cruz. Era a primeira vez que eu via alguém, ou ao menos uma adolescente, chorar a morte de um ídolo.

Aniversariante daquele dia, o compositor João do Vale (1934-1996), morreria dali a alguns meses. Faz 30 anos, portanto, de nosso último ano de Sesi: completado o ensino fundamental, cada estudante devia buscar outra escola para cursar o ensino médio.

Lembro das mortes como acontecimentos importantes, embora tristes, daquele ano, cuja linha do tempo na exposição “Sesi 80: construindo futuros”, em cartaz no Sesi Lab (Setor Cultural Sul, Bloco A, Asa Sul, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto), em Brasília/DF, destaca episódios como a doença da vaca louca e o tamagotchi.

1996 na linha do tempo dos 80 anos do Sesi - foto: Zema Ribeiro
1996 na linha do tempo dos 80 anos do Sesi – foto: Zema Ribeiro

Na São Luís natal do repórter, o Serviço Social da Indústria funcionava em três unidades, nos bairros do Santa Cruz, Alemanha e Tibiri (no km 5 da BR-135). As escolas eram voltadas à educação de filhos de empregados da indústria e abriam vagas à comunidade em geral — nas quais entramos eu e meus irmãos.

A exposição que celebra os 80 anos do Sesi, em cartaz em um museu interativo que integra sua rede, apresenta objetos e fotografias, constituindo basicamente uma linha do tempo entrecruzando a trajetória do Sesi a acontecimentos importantes no Brasil e no mundo ao longo das últimas oito décadas.

Fotos de Hans Gunter Flieg expostas no Sesi Lab - foto: Zema Ribeiro
Fotos de Hans Gunter Flieg expostas no Sesi Lab – foto: Zema Ribeiro

Outra exposição em cartaz no Sesi Lab é “Flieg. Tudo que é sólido”, abrangente mostra dedicada ao trabalho do fotógrafo alemão Hans Gunter Flieg (1923-2024) que se radicou no Brasil em fins da década de 1930 e aqui construiu sua trajetória profissional, entre a indústria, a publicidade, a arquitetura e as artes, cuja ampla seleção contribui para a percepção e compreensão da evolução destas áreas no Brasil.

Com aproximadamente 180 fotografias retratando estes universos, a mostra foi originalmente concebida e exposta no Instituto Moreira Salles (IMS), que hoje abriga seu acervo, de cerca de 59 mil negativos e fotografias, em São Paulo, em 2023, celebrando em vida, o centenário de Flieg, que viria a falecer aos 101 anos, no ano seguinte.

Flieg chegou ao Brasil em 1939 (o Sesi seria fundado sete anos depois) aos 16 anos, com a família judia que fugia do acirramento do extremismo nazista. Começou a estudar fotografia pouco antes da emigração, já mirando o sustento no país do futuro, à época em crescente processo de industrialização.

Em 1949 Flieg fotografou o calendário Pirelli (exibido na mostra) com a câmera Leica, e em 1951 foi o fotógrafo da I Bienal Internacional de Arte de São Paulo, tendo estabelecido importantes contatos com nomes da arte internacional, entre os quais o suíço Max Bill (1908-1994), autor da escultura “Unidade tripartida”, cuja fotografia integra a exposição, tendo se tornado uma das mais conhecidas da obra, revelando os desafios da tradução fotográfica de um objeto tridimensional.

Flieg fotografou ainda parte das comemorações do quadricentenário da capital paulista, em 1954, e a Exposição Internacional de Indústria e Comércio, no Pavilhão de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em 1961.

O trecho que se atrela ao sobrenome do fotógrafo para intitular a exposição é de seu conterrâneo Karl Marx (1818-1883): “tudo que é sólido desmancha no ar”, com a qual o autor de “O capital” (1867) descreveu a permanente transformação dos objetos em capital.

As exposições ficam em cartaz até dezembro e fevereiro de 2027, respectivamente, e podem ser visitadas de terça a sexta (das 9h às 18h) e sábados, domingos e feriados (das 10h às 19h), com entrada permitida até uma hora antes do fechamento da casa. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada conforme legislação vigente).

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