Uma das imagens de
Uma das imagens de "Quilombo: resistência!". Roberto Sobrinho. Reprodução
Roberto Sobrinho. Reprodução
Roberto Sobrinho. Reprodução

 

Olhares perdidos e inocentes de crianças. Sorrisos de crianças. Crianças na soleira de uma casa de taipa. Uma mulher na lida no pilão. Um homem na lida no forno da casa de farinha. Vaqueiros. Os campos verdejantes da Baixada maranhense. O modus vivendi de uma comunidade.

Em preto e branco ou colorido, as 18 fotografias que compõem a exposição “Quilombo: resistência!”, do fotógrafo Roberto Sobrinho, equilibram-se entre alegria, beleza, luta e simplicidade da gente retratada e a insuficiência do alcance de políticas públicas a comunidades quilombolas, embora a exposição limite-se ao município de Penalva.

Inaugurada na véspera do dia da Consciência Negra, no Centro Cultural do Ministério Público do Maranhão (Rua Oswaldo Cruz, 1396, Centro), “Quilombo: resistência!” fica em cartaz até o próximo dia 29 de novembro, podendo ser visitada em dias úteis, das 8h às 15h, com entrada franca (como de resto, toda a programação do espaço).

Inaugurada na mesma data e em cartaz pelo mesmo período, quem for ao CCMP pode visitar também a exposição coletiva “Nós”, com instalações e esculturas de Ângela Ferreira, Gil Maranhão, Izabel Matos e Jean Charles.

Em “Nós” destaca-se uma instalação que prende recortes de jornais com o sensacionalismo da imprensa sobre mortes violentas em ganchos de açougue. “A carne mais barata do mercado é a carne negra”, o verso ecoa instantaneamente na cabeça, enquanto vimos, entre as manchetes, a indignidade dos meios de comunicação que não respeitam a dor alheia em busca de vender mais na manhã seguinte.

Uma vasta programação, com debates sobre racismo, roda de capoeira e oficina de ritmos afro, marcou a Semana da Consciência Negra no CCMP. Prestes a completar um ano de funcionamento, a casa tem abrigado atividades muito interessantes, para dizer o mínimo, nas mais variadas linguagens, abordando temas nem sempre tão fáceis, sempre valorizando a presença de estudantes, algo fundamental, na contramão de um Brasil em que as artes, a cultura e o pensamento vêm sofrendo ataques sistemáticos por quem deveria fomentá-los.

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