Após publicação de reportagem do FAROFAFÁ apontando discriminação regional na chamada pública Novos Realizadores da Agência Nacional de Cinema (Ancine), a direção da instituição anunciou nesta noite de quinta-feira, 19, que vai adotar, em regime de urgência, providências para atender também os realizadores da Região Norte do País, que foram totalmente alijados da seleção. A Ancine ainda anunciou “providências para que nas próximas Chamadas não ocorram distorções nos indutores regionais, e que a diversidade de investimentos seja preservada”.

A direção da agência informou que, em comum acordo com o Ministério da Cultura, já avalia uma suplementação de recursos que serão direcionados aos realizadores da Região Norte. A Chamada Pública Novos Realizadores, da Ancine com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e operação do BRDE, foi divulgada na quarta-feira, 18, e provocou diversos protestos de profissionais do audiovisual em todo o País. Voltada para estimular empresas produtoras, diretoras e diretores iniciantes, contemplou contemplou 58 projetos audiovisuais e 100 milhões em recursos (para estimular projetos com até 2 milhões cada). Mesmo contando com 40 projetos inscritos em sua fase inicial, a Região Norte não teve nenhum selecionado. Houve insatisfação também na Região Sul, conforme relatou a reportagem.

Segundo apurou FAROFAFÁ, o recuo da direção da Ancine se deveu à interferência da própria ministra da Cultura, Margareth Menezes. A ministra ficou indignada com o resultado anunciado. A nota fala que a reavaliação se deve à necessidade de “manter a equidade da política pública” e o “consequente desenvolvimento de todas as regiões do País”. A atual diretoria da Ancine foi conduzida ao colegiado da agência pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, e se manteve durante 4 anos alinhada aos interesses do antigo governo.

“O financiamento desses filmes vai permitir a inserção de novos agentes no mercado, fortalecendo a produção audiovisual regional e ampliando a participação do filme nacional nas salas de cinema”, informou a nota da Ancine, que também resolveu dividir com instituições coletivas do audiovisual as tomadas de decisão sobre os próximos passos. Entre as instituições, estão Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste (CONNE) e a Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN).

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