“Canário do reino — Uma homenagem a Tim Maia” - capa/ reprodução
“Canário do reino — Uma homenagem a Tim Maia” - capa/ reprodução

Após dois inspirados álbuns dedicados aos repertórios de Gal Costa (1945-2022) (“Fruta gogoia”, de 2017, dividido com Jussara Silveira) e João Gilberto (1931-2019) (“Silêncio — Um tributo a João Gilberto”, de 2014), Renato Braz acaba de lançar “Canário do reino — Uma homenagem a Tim Maia” (2025), em que costura 17 temas em 15 faixas, entre autorais e hits imortalizados pelo síndico.

O álbum chegou às plataformas no último dia 13 de outubro, aniversário de Renato Braz, intérprete que tem lugar destacado entre os melhores do Brasil em atividade. “O primeiro grande artista que eu quis ser era o Tim Maia, é minha primeira referência como cantor”, declarou em entrevista a este resenhista e Ricarte Almeida Santos em 2013 — antes, portanto, das homenagens aos baianos.

Além da qualidade do canto de Renato Braz, “Canário do reino” se destaca pela seleção do repertório, capaz de abarcar várias fases da trajetória artística de Tim Maia (1942-1998), de megahits de rádio de sua autoria a sucessos alheios que ajudou a imortalizar (“Coroné Antonio Bento”, de João do Vale e Luiz Wanderley, “Um dia de domingo”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, “O descobridor dos sete mares”, de Gilson Mendonça e Michel, e “A lua e eu”, de Cassiano e Paulo Zdanowski), passando pelas fases racional (“Imunização racional (Que beleza)”) e cover bossanovista (“Eu e a brisa”, de Johnny Alf, cantada em dueto com Áurea Martins, e “Eu preciso aprender a ser só”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), além de faixa cantada em inglês (“Over again”).

O repertório foge tanto do óbvio que a música que dá título ao álbum, de Carvalho e Zapatta, não figura no álbum. Os arranjos, em geral, têm clima de baile, evocando a Vitória Régia, banda que acompanhou o carioca ao longo da maior parte da carreira, com o peso no naipe de sopros, reafirmando a importância de Tim Maia para o soul e funk brasileiros e para a MPB de modo geral.

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Além de Tim Maia, o álbum acaba rendendo homenagens também a outros artistas da predileção de Renato Braz: o pianista João Donato (1934-2023) na regravação de “A rã”, tema do acriano que posteriormente ganhou letra de Caetano Veloso; na introdução de “Imunização racional (Que beleza)”, o cantor dedica “este samba” a “Tony Tornado, Carlos Daffé, Michael Jackson (1958-2009) (sua “Billie Jean” é citada em “Sossego”, precedida por “Você e eu, eu e você, (Juntinhos)”, no medley em que é apresentada no álbum), Cassiano (1943-2021), James Brown (1933-2006), João Gilberto (1931-2019) e Gilberto Passos Gil Moreira”, evocando o que Gilberto Gil fez na introdução de “Aquele abraço”, tema incidental da faixa.

Surpresas que coroam a qualidade do álbum são as presenças do poeta Augusto de Campos e da cantora Nana Caymmi (1941-2025). O primeiro declama “Só” (poema de Edgar Allan Poe (1809-1849) traduzido por ele, antecipando o encerramento da bonita e honesta homenagem a Tim Maia, o medley “A lua e eu”/ “Azul da cor do mar” é cantado em dueto com Nana Caymmi, na última gravação da cantora, acompanhados pelo piano de Cristóvão Bastos. Há ainda a participação de Dorival Braz, filho de Renato Braz com a cantora Alice Passos, que solta a voz em “Chocolate”.

“Canário do reino” tem produção de Renato Braz e Mário Gil e certamente é um álbum que nem o próprio Tim Maia botaria defeito.

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Ouça “Canário do reino — Uma homenagem a Tim Maia”:

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1 COMENTÁRIO

  1. Particularmente, desconheço algum trabalho artístico do qual Renato participe e não produza algum efeito de qualidade musical indiscutível. Apenas me entristeço, em tempos de streamings e assinaturas, por não poder, à moda “antiga”, presentear os mais chegados e enternecer os menos com este grande “disco” de Renato e – cada vez mais – família. Parabéns pela resenha.

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