Morreu aos 89 anos na França o desenhista, ilustrador, escritor e sábio francês Jean-Jacques Sempé, o autor do célebre livro ilustrado infantil O Pequeno Nicolau, um dos mais publicados no mundo. Mas a galeria de personagens de Sempé é ampla e maravilhosa, e a maioria dos seus personagens foi criada para afirmar a grandeza da diferença na sociedade, como Marcelino Pedregulho e Raul Tabúrin. Sempé começou sua carreira com 18 anos e um dos seus primeiros parceiros na ilustração foi René Goscinny, um dos criadores do Asterix, que fez o texto de O Pequeno Nicolau, seu grande êxito comercial. O livro vendeu mais de 10 milhões de cópias em 30 paises em meio século de edições. O livro foi levado ao cinema pelas mãos do cineasta Laurent Tirard.

O autor foi presença frequente na capa e nos interiores da revista norte-americana New Yorker nos anos 1970, e também ilustrou para Paris Match, Punch e L’Express. Em uma entrevista a Jotabê Medeiros em 2009, Sempé disse que foi gago quando menino e isso o fez ver as diferentes formas de segregação que a sociedade impunha aos diferentes, e que Marcelino Pedregulho, sobre um menino vermelho, era uma metáfora do racismo. Diz também que nunca pensou se os livros que desenhava e escrevia eram para crianças ou adultos, que não tinha isso em mente quando criava.

Sempé, símbolo da cultura popular francesa tão marcante quanto astros como Charles Aznavour ou Brigitte Bardot, asseverava que era um preguiçoso, mas manteve uma produção gigantesca durante toda a vida criativa. “Mas não é justamente essa a característica dos preguiçosos, trabalhar enormemente?”, brincou. “Como eu não me organizo muito bem, produzo de forma compulsiva, para às vezes fazer o mesmo trabalho. Desenho o mesmo desenho obsessivamente, às vezes durante anos, como um psicanalista que fica mudando o divã de lugar, tentando ver que efeito essa mudança terá no comportamento dos seus pacientes”.

A sua ação de autor sempre tinha um objetivo bem definido, que era a de mudar a forma como as pessoas viam questões como amizade, diferença, lealdade, vida em comunidade. “Sim, meus livros são políticos, na medida que são uma reflexão pessoal. Mostrar o interior, as angústias e as divisões de uma pessoa, é uma ação política”. Sobre seus personagens serem sempre tão pequenos, miúdos, ele afirmou: “Não são meus personagens que ficam pequenininhos, é o mundo que se tornou grande demais”.

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome