Zeca Baleiro e Vinícius Cantuária, parceiros em

Os encontros musicais entre o amazonense Vinícius Cantuária e o maranhense Zeca Baleiro e entre o carioca Pedro Luís e o pernambucano Yuri Queiroga puxam uma série diversificada de lançamentos musicais, do paraense Manoel Cordeiro em parceria com os cariocas Alexandre Kassin, e Marlon Sette e o pernambucano Pupillo; dos paulistanos Luiz Tatit e Raça Negra; e do carioca Gustavo Benjão. No front feminino jovem, a paulistana Drik Barbosa apresenta um EP com quatro faixas e a também paulistana Dani Nega se une à brasiliense Ellen Oléria no single de “Sai Boy”, um manifesto para fazer frente a dias carregados de violência masculina racial, sexual e política.

 

"Naus" (2022), de Vinícius Cantuária e Zeca BaleiroNaus. De Vinícius Cantuária e Zeca Baleiro. Sonastério/Saravá.

Uma ponte Norte-Nordeste-mundo se estabelece em Naus, parceria inédita entre o amazonense Vinícius Cantuária e o maranhense Zeca Baleiro, de 11 composições criadas em dupla e executadas prioritariamente em arranjos de voz e violão. Não é um encontro previsível, já que a diferença de 15 anos de idade entre os dois é suficiente para abrigar várias peculiaridades geracionais e estéticas.

Vinícius, hoje com 71 anos, apresentou-se à música no início dos anos 1970, quando participou das invenções entre o rock progressivo e o rock rural da banda O Terço, e integrou-se ao time musical que acompanhou Caetano Veloso entre 1978 e 1983, sob o nome A Outra Banda da Terra. Atingiu sucesso pop-rock solo a partir do êxito de sua “Lua e Estrela” (1981), lançada por Caetano, que catapultou o sucesso de canções sedutoras como “O Grande Lance É Fazer Romance” (1982), “Sutis Diferenças” (1983, em parceria com Caetano e gravada primeiro por Gal Costa), “Só Você” (1984) e “Ludo Real” (1987, gravado pelo parceiro Chico Buarque). Depois de compor o efêmero supergrupo Tigres de Bengala (com RitchieClaudio ZoliDadi Carvalho Mú Carvalho), em 1993, mudou-se para os Estados Unidos, onde cumpriu trajetória sólida entre a bossa nova e o jazz e gravou com nomes do jazz como Bill Frisel Jesse Harris.

Zeca, 56 anos, iniciou carreira discográfica autoral bem depois, em 1997, em clave nordestina mais próxima de Zé Ramalho Belchior que da tropicália e tem feito parcerias, homenagens amorosas e produções para gente tão diversa quanto o contemporâneo Chico César, os conterrâneos Rita Benneditto, Antonio Vieira e Lopes BogéaVange Milliet Paulo Lepetit, Gal Costa, Zeca PagodinhoCeumarCharlie Brown Jr., FagnerGaspar e Z’África BrasilNaná Vasconcelos Itamar AssumpçãoSérgio SampaioHilda Hilst, Zé Ramalho, Odair JoséTiago AraripeJosé ChagasVanusaEdy Star e dezenas de outros.

No encontro de duas vertentes paralelas, mas não exatamente próximas, nascem canções quase sempre melancólicas (e criadas durante a pandemia), como a eloquente balada latino-americana “Flores de Invierno“: “Mira el cielo, el tiempo oscuro/ ojalá el sol vuelva a brillar/ no hay oscuridad para siempre/ porque la tierra no parará”. O espírito cigano delineia “Carona” (“ganhei coragem, perdi dinheiro, peguei carona com um boiadeiro que viajava pro Paraná/ e de cidade em cidade eu procurava ao sol meu lugar/ não conheço felicidade, mas na verdade algumas vezes eu fui feliz como um paxá”) e “O Dia em Que Jeremias Vaqueiro Viu o Mar pela Primeira Vez” (“comeu poeira e sol pra ver o mar de perto/ o mar e sua imensidão”).

O Rio de Janeiro é evocado em “Alma Bossa Nova”, que faz Zeca tecer loas inéditas a Tom JobimJoão Gilberto e companhia (“quero ser teu Carlos Lyra, o teu cantor apaixonado”), e no samba “Chuva na Guanabara“, “um samba Gilberto Gil” situado onde o Rio é mais baiano: “Vamos tomar café na casa de Lan Lan/ então se Deus quiser eu volto de manhã/ eu vou de Oxumaré, você vai de Iansã”. À base de vozes e violões, são acrescentados instrumentos tocados por Vinícius (guitarra, percussão, piano, sintetizadores) e Zeca (acordeom, piano wurlitzer, percussão, caixa de fósforo, baixo, sintetizadores), mais intervenções eventuais do baixo de Dadi e guitarras e violão pizzicato de Rogério Delayon (em “Sol da Beleza”), piano do japonês Ryuichi Sakamoto (“Naus“), acordeom de Cosme Vieira (“Carona”), piano e sintetizadores de Sacha Amback (“Alma Bossa Nova”), sampler do produtor Walter Costa (“Flores de Invierno”), violão sete cordas de Swami Jr. e acordeom de Bebê Kramer (“Chuva na Guanabara”), órgão do colega de Vinícius n’O Terço Flávio Venturini (“Jeremias Vaqueiro”), trombones de Tiquinho (“Flor do Beijo”).

Ao final, na soturna “Retirada“, Zeca ecoa as percussões de boca de Naná Vasconcelos, salpicadas por mais versos de desconsolo: “Noite virá/ casas se fecharão/ a rua é/ nova prisão/ (…) o véu do amor/ vai me esconder/ da guerra, do mal/ se o tempo é um cais/ deserto é o coração”. O álbum musical chega acompanhado de Naus.doc, um mini-documentário em três partes com bastidores de gravação e depoimentos dos dois artistas sobre o encontro.

 

"Vai por Mim" (2022), de Luiz TatitVai por Mim. De Luiz Tatit. Circus.

Qualquer novo trabalho do músico, linguista e professor paulistano Luiz Tatit é garantia de mais um punhado de letras instigantes, melodias e ritmos gostosos e canto iconoclasta, e Vai por Mim não foge à regra. Vão longe os anos do advento do grupo Rumo e da vanguarda paulista, e o tempo passa cada vez mais veloz, como constata a faixa “Bônus Que Virão”: “As décadas antigas eram longas, se alastravam/ as décadas de hoje são curtinhas, logo acabam”.

Companheira de banda e além, Ná Ozzetti brilha nos vocais de “Vai por Mim” (de versos-trocadilhos com o tradicional “Peixe Vivo”, apreciado em décadas esquecidas pelo presidente desenvolvimentista não-fascista Juscelino Kubitschek) e de “Aplausos” (“palmas pros que são desanimados, mas não deixam de viver”); Zélia Duncan, nos da terna “Esperando o Quê?“; e a moçambicana Lenna Bahule (presente em várias faixas), no canto solo final de “Embrião”. Arranjos e instrumentistas esmerilham em “Esperando o Quê?”, no iê-iê-iê-MPB de “Aplausos” e “Tudo É Quase Nada”, na valsinha “Vem Comigo” (com os tradicionais trechos em canto-fala de Tatit, “deixa essa vida besta passar”) e sobretudo no vivaz pós-choro-maxixe-etc. “Anja“. A atmosfera geral é de que, omo cantaria o velho Benito di Paula, tudo está no seu lugar, graças a Deus – só que não.

 

"Levadas de Festa" (2022), de Manoel Cordeiro, Kassin, Pupillo e Marlon SetteLevadas de FestaDe Manoel Cordeiro com Kassin, Pupillo e Marlon Sette. Selo Sesc.

Patrimônio musical do Pará, o guitarrista Manoel Cordeiro produziu toneladas de música amazônica desde os anos 1970, mas pouco tem assinado seu próprio nome nas capas dos discos. O novo álbum Lavadas de Festa é das poucas exceções, ao lado de títulos recentes como Manoel Cordeiro & Sonora Amazônia (2015), Guitar Hero Brasil (2019) e Combo Cordeiro (2017), ao lado do filho Felipe Cordeiro, assinado apenas pelo sobrenome. O mestre da guitarrada paraense esbanja modernidade em Levadas de Festa, secundado pelos pupilos Kassin (no contrabaixo), Pupillo (bateria e percussão) e Marlon Sette (trombone), em 11 levadas instrumentais exemplares da fusão musical que só no Pará (e na Amazônia) se podem encontrar.

Os festejos passam pela assimilação antropofágica de Carlos Santana Dire Straits (no contagiante “Benfica River“), Roberto Carlos e jovem guarda (“Levadas de Festa“), latinidades caribenhas (“Mambo Marajó”, “Mambo Bragantino”, a deliciosa “Cumbia Negrita“), bossa nova misturada com retreta (“Uma Bossa Daqui”), fossa praieira (“Você Se Foi, Eu Fiquei sem Você”), samba-choro com perfume do Rio antigo de Noel Rosa (“Sambete pro Manoel“), carnaval nordestino (“Pulando Corda“) e música popular paraense do brega orgânico ao tecnobrega (“Amor de Cabaré“). Quase tudo é invenção da própria cabeça de Manoel, exceto o “Sambete pro Manoel” composto por Marlon Sette e “Segunda Divisão”, assinada por Kassin. Além das guitarras, Manoel Cordeiro empunha violão e teclados, e as levadas de festa resistem ao mar bravio, do início ao fim.

Manoel Cordeiro - foto Matheus José Maria
Manoel Cordeiro – foto Matheus José Maria

 

"Terral" (2022), de Pedro Luís e Yuri QueirogaTerralDe Pedro Luís e Yuri Queiroga. Deck. Lançamento em 15 de julho.

O cantor e compositor carioca Pedro Luís e o produtor e compositor pernambucano Yuri Queiroga unem suas habilidades no álbum Terral, anunciado como lançamento em áudio estéreo nas plataformas digitais e na tecnologia dolby atmos (exclusiva para assinantes da Apple Music.) A preocupação ecológica marítima é o norte do trabalho, desde o título (que se refere ao vento mais favorável para a prática do surfe, que sopra da terra para o mar) até os vídeos do álbum visual, habitados por siris, tartarugas marinhas, arraias, peixes, golfinhos, tubarões, pescadores artesanais e surfistas – mas também por poluentes diversos lançados aos oceanos pelos humanos.

O repertório autoral não acompanha essa unidade temática e é constituído por releituras mais cruas, mais rappeadas e mais eletrônicas de canções dos tempos do grupo Pedro Luís e A Parede (“Soul”, “Seres Tupy”, “Mão e Luva”, “Miséria no Japão”, todas de 1997, e “Batalha Naval”, de 2001) e do projeto Macro (2019), de Pedro Luís e Batman Zavareze (“Sangue Soa”, “Tecer o Mundo”, a aquática “Vida de Zaguá”), mais “Miséria S.A.” (de Pedro, lançada pelo grupo O Rappa em 1996), “Calcanhar” (de Yuri, gravada por Ylana Queiroga na trilha sonora do filme Tatuagem, de 2014). Em versões bilíngues, “Soul” tem participação da portuguesa Marta Ren (que canta em inglês) e “Mão na Luva” inclui a voz da argentina Dai Ojeda. Filho do maestro Spok, da Spok Frevo Orquestra, e sobrinho do cantor e compositor Lula Queiroga, Yuri Queiroga conduz produção acurada, mas não ficam evidentes as motivações do foco marinho que reveste canções criadas em outras circunstâncias, ora socialmente engajadas (“Miséria S.A.”, “Miséria no Japão”, “Batalha Naval”), ora neotropicalistas (“Seres Tupy”), ora hedonistas-carnavalescas (“Calcanhar”).

 

"O Mundo Canta Raça Negra" (2022), de Raça NegraO Mundo Canta Raça NegraDe Raça Negra. Som Livre.

O título soa ambicioso, mas O Mundo Canta Raça Negra investe na mesma simplicidade e no mesmo poder de comunicação que caracterizam há 39 anos o som do grupo de pagode moderno da zona leste paulistana. Muita coisa mudou de lá para cá: Raça Negra é praticamente um artista solo, Luiz Carlos, à frente de um paredão de sopros, cordas e instrumentos de samba. Como não poderia deixar de ser, a grandiloquência oscilante entre big band e orquestra serve ao romantismo direto, reto e sibilado de Luiz Carlos. Hoje um tanto antiquado, o derramamento amoroso produziu uma série impressionante de hits em samba-rock, pagode-rock e gêneros afins, continuamente regravados nas duas últimas décadas. Entre as 24 faixas (audiovisuais) da gravação feita em Florianópolis (SC), desfilam hits de multidão como “Cigana“, “Jeito Felino“, “Solidão”, “Oi (Estou Te Amando)”, “Perdi Você”, “Só com Você” (1992), “Tempo Perdido“, “Estou Mal”, “Quando Te Encontrei” (1993), “Te Quero Comigo“, “Me Leva Junto com Você”, “Volta”, “Volta pra Ela” (1994), “Maravilha”, “É Tarde Demais” (1995), “Sozinho”, “Preciso Ter Alguém” (1996), “Você Deve Se Lembrar” (1998), “Deus Me Livre” (1999), “E Agora” (2000), “Ainda Amo Você” (2006).

Entre uma minoria de inéditas, surgem parcerias com artistas de gerações mais novas e estilos díspares: o sambanejo “A Mesma Aliança”, cantado com Jorge & Matheus; “Inquilino”, com o cantor baiano de arrocha Tierry; “Mão Só de Ida”, em dueto com o pagodeiro Dilsinho; “Mudar pra Que” (com Xande de Pilares na co-autoria). A atriz global Juliana Paes se encarrega do gostoso pagode “Tititi Lelele“, que faz referências aos “didididiê” do clássico “Cheia de Manias” (19992), também presente no álbum, em versão suntuosa. E “Transplante”, por fim, marca uma homenagem póstuma a Marília Mendonça, que gravou a balada em 2017 em trio com os sertanejos Bruno & Marrone. Quanto ao mundo que canta Raça Negra, o mostruário é modesto, restrito ao cantor panamenho de reggaeton Joey Montana, que canta um pot-pourri com “Ainda Amo Você” e “Oi (Estou Te Amando)” e ao angolano Anselmo Ralph, que participa de “Maravilha”.

 

"Nós"(2022), EP de Drik BarbosaNósDe Drik Barbosa. Laboratório Fantasma.

A rapper e compositora paulistana Drik Barbosa apresenta o EP Nós, com quatro canções e videoclipes gravados em pique coletivo, de congraçamento afro-brasileiro. O soul sonhador “Sobre Nós” incorpora rap do paulistano Rashid; a feliz “Seu Abraço” integra-se ao eletropagode baiano com o Psirico e RDD, do grupo Àttøøxxá, num clipe de orgulho protagonizado por um casal masculino negro e homorromântico; o pagode-soul “Calma, Respira”  visita dores que silenciam, mas canta alto ao lado da lenda viva do pagode paulista Péricles; e o orgulho feminino e feminista, por fim, constitui o reggae-rap auto-afirmativo “Cabeça Erguida“, cantado com as rappers Cynthia Luz, mineira, e Lourena, carioca. Lançado pelo selo Laboratório Fantasma, de EmicidaNós tem o rapper na co-autoria de “Cabeça Erguida” e seu irmão Fióti nas de “Seu Abraço” e “Calma, Respira”.

 

"Axé" (2022), de BenjãoAxéDe Benjão. Pomar.

O Cristo Redentor e o Elevador Lacerda ocupam o mesmo lugar no espaço na capa de Axé, segundo álbum solo do guitarrista, compositor e cantor carioca Gustavo Benjão (ou simplesmente Benjão), integrante de núcleos da vanguarda musical do Rio de Janeiro como a banda rock-MPB Do Amor e a Abayomi Afrobeat Orquestra. Em tempos de emergência contínua de identidades e autonomias historicamente massacradas, pode soar atravessada a apropriação do termo axé por um artista não-negro e não-baiano, mas, à parte esses fios de navalha, o som de Benjão exibe grande inventividade e promove uma recombinação original e vigorosa de elementos acústicos e eletrônicos, toques de candomblé e afrobeats, guitarra baiana e computadores, Novos Baianos e samba-soul, sonoridades caribenhas e funks cariocas, tecnobregas e tecnochiques. Se a vivacidade e a descontração de “Axé“, “Ave Papai“, “Ladeira do Pelourinho” (“um lugar pequenininho/ que já não existe mais/ com pessoas invisíveis”), “Longe do Cais” e “Ajayô” têm o condão de relaxar as fibras tensas do ouvinte, outras canções tensionam os nervos ainda mais, como “Terror Antiopressor”, de refrão algo esvaziado, ou “Hiago“, que paga tributo às identidades versando sobre o assassinato de um homem negro por um policial que “se enchia de racismo e de raiva”, “tanto ódio e uma arma”.

 

Ellen Oléria e Dani Nega lançam "Sai Boy"
Ellen Oléria e Dani Nega lançam “Sai Boy”

Sai Boy. De Dani Nega e Ellen Oléria. Independente, nas plataformas digitais a partir do dia 20.

Rapper nascida na zona leste paulistana, Dani Nega une-se à trovejante cantora e compositora brasiliense Ellen Oléria no single “Sai Boy”, “nosso hit sapatão”, segundo suas próprias palavras. Mulheres, negras e lésbicas, Dani e Ellen cantam a criação da primeira em tom altivo e impositivo, por sobre fundo sonoro vibrante de disco-funk e versos a um tempo descontraídos e cortantes: “Desce o som/ e noiz/ rebola e vai até o chão/ e os boys/ só quer chegar que nem cuzão/ e noiz/ gasta a língua só pra dar sermão/ vacilão/ chega pra lá que eu não quero, não/ sou bixa preta, eu sou sapatão/ respeita noiz que não dá briga, não”.

Após a estreia musical em dupla com o músico nascido argentino e naturalizado brasileiro Felipe Julián (ou Craca Beat), nas fusões rap-eletrônicas de Craca, Dani Nega e o Dispositivo Tralha (2016), Dani adentra carreira musical solo abastecida pelos singles engajadíssimos “Como Noiz Quiser” (“moro no país dos fuzil/ na frente dele um imbecil”, canta, parodiando o “País Tropical” de Jorge Ben) e “A Corte Vai Cair” (protagonizado pelo rapper Jairo Pereira), ambos de 2020. Representativo e certeiro por toda uma galeria de motivos, “Sai Boy” afina a revolta ao vir à luz em meio ao alarido de assédios, abusos, estupros e assassinatos cometidos por aqueles aos quais a música é dirigida, os homens brancos heterossexuais. Não há como ser mais atual e eloquente que o funk-disco-rap de Dani Nega e Ellen Oléria.

 

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