Darktraces, de Joana Castro, será apresentado na 12ª Bienal Sesc de Dança
Darktraces, de Joana Castro, será apresentado na 12ª Bienal Sesc de Dança - Foto: Pedro Sardinha

A dança ainda mediada pela tela, mas já de olho no desconfinamento. A 12ª Bienal Sesc de Dança, de 2 a 10 de outubro, reúne grupos e artistas que, em sua maioria, põem para fora o que de bom e de ruim perpassou os corpos humanos nesse período pandêmico. Com mais de 20 apresentações ao vivo e gravadas, mostra de videodanças e de filmes, encontros virtuais com artistas e aulas abertas, o Sesc SP apresenta uma coletânea de espetáculos que, por necessidade, tiveram de se readaptar a um formato já conhecido, porém distante e frio.

Coreógrafos e dançarinos já se valiam, há décadas, da videodança para atingir diferentes públicos, abrindo espaço para uma relação entre corpo e imagem. Pouco ou nunca se falava de videoteatro ou videocirco. O que será apresentado de novo são coreografias que se valem de videochamadas, videoclipes e até o famigerado TikTok, a rede social das “dancinhas”. A mostra Danças para Todas as Telas traz um apanhado de produções de diferentes circuitos, variadas gerações e localidades, que reunidas revelam uma necessidade de expressão corpórea represada, sem a possibilidade do encontro por causa do confinamento.

Ismael Ivo, vítima da Covid-19, será homenageado na 12ª Bienal Sesc de Dança
Ismael Ivo, vítima da Covid-19, será homenageado na 12ª Bienal Sesc de Dança – Foto: Alex Ribeiro/ Visormágico

A 12ª Bienal Sesc de Dança prestará uma dupla homenagem. A primeira será para o coreógrafo e bailarino Ismael Ivo, vítima fatal da covid-19 em abril deste ano. Serão apresentados o filme Ismael Vivo, da TV Cultura, e outras exibições de suas coreografias. As três décadas da consagrada companhia da Lia Rodrigues Companhia de Danças serão referenciados em vídeos que mostram a trajetória do grupo, que não parou mesmo durante a pandemia. Os espetáculos Aquilo Que Somos Feitos, Formas Breves, Pindorama, Para que o Céu Não Caia e Fúria, que fazem parte da série Cadernos de Criação, são deste período. A coreógrafa Lia Rodrigues falará ao vivo dia 3 de outubro, das 18 às 19h30.

Na abertura, o escritor e sociólogo Muniz Sodré ministra a aula magistral Dança e Corporeidade, que reflete como a dança não pode ser traduzida ou explicada, mas apenas vivida. Ao não se reduzir a um conceito, a dança abre as múltiplas possibilidades criativas. Sodré foi acometido da covid-19 e chegou a ser internado em uma UTI, em julho do ano passado.

"Matéria Escura", do grupo Cena 11, na 12ª Bienal Sesc de Dança
“Matéria Escura”, do grupo Cena 11 – Foto: Cristiano Prim

O Cena 11, de Santa Catarina, apresenta Matéria Escura, o primeiro espetáculo ao vivo da 12ª Bienal Sesc de Dança (dia 2 às 19 horas). O grupo apresentaria essa obra em abril de 2020 na Alemanha, e só voltou a se reunir em maio para reconfigurar toda a coreografia e se adaptar ao formato da tela. “Um corpo invisível vincula sua aparência à modificação de outros corpos para manifestar sua existência”, informa o texto da programação, acrescentando que a apresentação inclui ações de texto, áudio e vídeo transmitidas e editadas em tempo real. “Não existe mediação sem ruído”, adianta o diretor artístico Alejandro Ahmed.

Jaqueline Elesbão, da Bahia, ao som do atabaque e do tambor, joga capoeira como forma de estabelecer um jogo com o público (dia 3, às 19 horas). Mais que a luta brasileira originada no século 16, a intérprete quer denunciar o racismo estrutural e o sexismo na sociedade. Em 131 OUT, Sara Marasso e Stefano Risso, do coletivo Il Cantiere e distantes a 2 mil quilômetros entre Turim e Lisboa, buscam uma sintonia possível entre uma bailarina, um músico e seu contrabaixo explorando espaços exteriores (também dia 3, às 21 horas).

A entidade Uýra Sodoma participa da 12ª Bienal Sesc de Dança
A entidade Uýra Sodoma – Foto Selma Maia

Uýra Sodoma, que se autodefine como uma entidade, exibe o inédito Taoca (dia 9, às 21 horas), uma videoarte performática recente que perpassa sua passagem pela atual Bienal de São Paulo, com uma série fotográfica, até a Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília. Artista da Amazônia brasileira, Uýra Sodoma apresenta uma arte LGBTQIA+ interconectada com outra das grandes lutas da Humanidade, a preservação da floresta.

Quatro artistas dos Estados Unidos, China, Holanda e Índia se reuniram para criar Este Corpo É Tão Impermanente, sob direção de Peter Sellars. O espetáculo que encerra a 12ª Bienal Sesc de Dança (dia 10, às 21 horas) é a interpretação coreográfica do texto budista Vimalakirti Sutra, que traz ensinamentos para “não temer a morte e encarar a vida sem ilusões”. Com performance do dançarino Michael Schumacher, o espetáculo pretende se fixar como um memorial do sofrimento da pandemia pelo qual todos tivemos de enfrentar.

12ª Bienal Sesc de Dança. De 2 a 10 de outubro. Aqui, a programação completa.

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