A cantora Alcione, além de Erasmo Carlos, Seu Jorge e Rogério Flausino (Jota Quest), participam neste sábado, 20, às 18 horas, da live Baile do Simonal, uma ação de apoio ao Retiro dos Artistas, do Rio de Janeiro. Quem transmitirá pelo YouTube é o patrocinador, o banco BTG Pactal. Sem poder receber visitas, por causa da idade avançada de seus moradores (grupo de risco na pandemia), os moradores do Retiro dos Artistas (instituição que funciona há 102 anos) buscam ações solidárias para manter-se em funcionamento durante a quarentena. Atualmente, 50 pessoas vivem ali – além de atores, também jornalistas, músicos, técnicos, artistas plásticos e um ex-atleta do futebol. O ator gaúcho Paulo Cesar Pereio, de 79 anos, a cantora Leny Andrade, de 78, e o ator mineiro Ruy Rezende, de 81 anos, são alguns dos moradores.

A live “Baile do Simonal” é comandada pelos irmãos Simoninha e Max de Castro, e o show acontece neste sábado (20), a partir das 18h. A iniciativa é uma produção da S de Samba, Chantily Produções e Sanseverino Advogados Associados. O banco BTG Pactual, que “hospeda” a live, doou R$ 80 mil para o retiro. Os espectadores também poderão doar, por meio de QR Code disponível na tela da transmissão. Os recursos arrecadados vão subsidiar a compra de alimentos, itens de higiene e limpeza e bancar custos de manutenção e atendimento médico no local. O Retiro dos Artistas é dirigido pelo ator Stepan Nercessian.

A cantora Alcione, de 72 anos, conversou com Farofafá/CartaCapital sobre sua participação e como vê o tema do envelhecimento no mundo do showbiz. “Acho que o pior que pode nos acontecer é o envelhecimento do cérebro, da mente. O amadurecimento traz benefícios também, nos torna menos ansiosos e mais seletivos. O importante é estarmos conectados com os tempos em que vivemos”, ela ponderou. “Quanto ao Retiro, acho que existe um belíssimo trabalho sendo feito por lá. E amparar os artistas que, muitas vezes, não podem contar com o apoio das famílias ou conseguiram um pé de meia durante suas carreiras, é fundamental. Só tenho que parabenizar todos aqueles que ajudam a manter essa instituição de pé”.

Ela acredita que é possível que o País possa sediar outras instituições do tipo, de acolhida para artistas. “A maioria dos artistas batalha, rala muito para sobreviver de sua arte. E não ganha cifras milionárias”, considera. “Nem todos constituíram, ao longo do tempo, um patrimônio que pudesse lhes garantir uma vida tranquila na velhice. Além disso, a própria cultura depende muito de projetos e patrocínios, isso em todos os países. Claro que outros retiros serão sempre muito bem-vindos! E não só os direcionados aos artistas”, afirma a maranhense Alcione. A situação é delicada: hoje mesmo circula pela internet um pedido de ajuda da cantora Angela Ro Ro, uma das maiores intérpretes do País, que reivindica doações para se manter.

“Não tive filhos, mas tenho muitas crianças à minha volta sempre! Tenho respeitado a quarentena, ficado em casa, evitado qualquer contato desnecessário. Sou grupo de risco, não é? Tenho que me cuidar”. Mas isso não significa parar de produzir: Alcione está lançando um novo álbum, o primeiro de inéditas em sete anos, intitulado Tijolo por Tijolo, que já está em todas as plataformas digitais. “Também existem outros projetos em andamento, suspensos, temporariamente, por conta da pandemia”, ela conta. Entre eles, um musical biográfico dirigido por Miguel Falabella e produzido por Jô Santana e um documentário de Angela Zoé. “Muitos projetos pós-pandemia e, naturalmente, uma turnê de lançamento do novo disco que tem homenagens a Pelé, e canções de muitos compositores incríveis. Ah, sim, para matar a saudade dos palcos e ajudar a instituições e famílias, tenho feito algumas lives. Isso também ajuda a diminuir a distância entre o artista e o público”.

Alcione só não quis comentar recente entrevero com o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que tem feito um esforço monumental para neutralizar as lutas da população afrobrasileira para afirmar sua cultura, contar sua história e combater o racismo. A cantora perdeu a paciência com o sujeito, grossseiro e preconceituoso, mas não quer mais falar sobre o tema, ao menos nesse momento.

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